Regional

Botucatu recicla 400 toneladas de lixo

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu – Depois de um ano e meio em funcionamento, a Cooperativa de Agentes Ambientais (CAA) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) retirou mais de 400 toneladas de lixo reciclável das residências.

A cooperativa foi criada em agosto de 2004 por iniciativa da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, com o apoio da prefeitura e da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Cerca de 35 toneladas de materiais recicláveis são coletadas todos os meses nas residências de 51 bairros da zona norte da cidade. A cooperativa emprega 25 pessoas.

Entre os materiais coletados estão sucata (alumínio, ferro), plástico (pets, postes de iorgute, sacola plástica), vidros (caco, litro, garrafão), papelão e papel.

O sociólogo, Paulo Malagutte, um dos coordenadores do projeto que criou a cooperativa, explica que a idéia surgiu para atender a legislação estadual que não permite o trabalho de catadores em aterros sanitários.

“O processo começou em meados de 2004. Principalmente por conta de legislação que exigia a retirada de catadores do aterro sanitário. Então, a alternativa do pessoal era formar um grupo para que se organizassem em uma cooperativa de catadores”, diz Malagutte.

“Eles vão batendo de porta em porta e o caminhão vai junto. Com os carrinhos, fazem a coleta neste setor, descem com o material na central de triagem e fazem a seleção”, conta Malagutte. A central de triagem fica em um barracão na avenida Paula Vieira, no bairro Vila Jaú. No local, os cooperados separam e prensam o material que é comercializado em seguida.

O coordenador explica que o material prensado é vendido para “atravessadores” que revendem o material para as empresas. “Por enquanto, nós não temos um volume de material suficiente que a gente consiga colocar direto na empresa, então a gente ainda passa por um atravessador. Porque a empresa exige um contrato de produção e a gente ainda não consegue atingir este volume”.

O dinheiro ganho com a venda dos materiais é repartido de forma igualitária entre os 25 cooperados que conseguem tirar de R$ 350,00 a R$ 400,00 por mês. Malagutte conta que a cooperativa ainda não consegue se manter apenas com o dinheiro das vendas do material reciclável e, por isso, recebe ajuda da prefeitura. “O subsídio é praticamente dado todo pelo Executivo para que a gente consiga manter a média dos salários”, explica.

Retorno

O sociólogo comenta que a coleta seletiva tem um custo maior se comparada à coleta convencional. No entanto, o retorno social e econômico para a cidade compensa o custo.

“A coleta seletiva acaba diminuindo o gasto da prefeitura na questão do tratamento de resíduos, porque aumenta a vida útil do aterro sanitário e gera renda, que será gasta no próprio município pelos cooperados. No ano de 2005, nós retornamos para o comércio de Botucatu R$ 100 mil que seriam descartados no lixão”, comemora.

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