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Deputado acusa CPI de ‘segurar’ documentos

Folhapress
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Brasília - Relator do processo de cassação do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), o deputado Cézar Schirmer (PMDB-RS) acusou ontem a CPI dos Correios de reter documentos solicitados por ele para a elaboração do parecer sobre o caso do petista no Conselho de Ética. João Paulo é apontado como destinatário de R$ 50 mil do esquema montado pelo empresário Marcos Valério.

O dinheiro foi sacado das contas de Valério no Banco Rural por sua mulher. O petista afirma que sacou os recursos a mando do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e que o dinheiro foi usado para pagar pesquisas eleitorais em municípios da região de Osasco (SP), seu reduto eleitoral. A situação do deputado agravou-se, entretanto, porque inicialmente ele disse que sua mulher havia ido ao banco para pagar uma fatura de TV a cabo. A queixa de Schirmer é que nenhum dos documentos solicitados à CPI, no dia 16 de novembro do ano passado, chegou até agora. “Quero responsabilizar a CPI e o Senado por não entregar os documentos há mais de dois meses, pelo constrangimento que estou passando”, disse.

Constam da relação de cópias pedidas pelo relator: lista de sacadores das contas de Valério; lista de visitantes do Banco Rural e comprovante do saque da mulher de João Paulo; sigilos telefônicos de Valério; relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre contratos firmados pela Câmara com a SMPB, empresa de Valério, durante a gestão do petista; correspondência de João Paulo justificando o motivo do comparecimento de sua mulher ao banco; e extrato dos bilhetes aéreos emitido pela Exodus Turismo, comprado por Valério para a secretária do petista.

O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), negou que a comissão esteja protelando o envio dos dados. “Não tenho interesse nenhum em segurar nada”, disse Serraglio. Segundo ele, entretanto, parte dos documentos requeridos - como os telefonemas de Valério e a cópia do bilhete emitido pela agência de turismo - são sigilosos e necessitam de um procedimento especial da direção da Câmara.

O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse ter se “surpreendido” com a notícia e afirmou estar à disposição de Schirmer para resolver eventuais dificuldades.

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