Regional

Torrinha se prepara para o ecoturismo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Com um pé no ecoturismo e outro na burocracia que emperra o processo, Torrrinha (95 quilômetros a Leste de Bauru) busca uma nova vocação para alavancar o desenvolvimento do município que já viveu do café e ainda conserva marcas de uma época recheada de glamour. Na casa dos 82 anos, o município, considerado ainda jovem, tem potenciais turísticos, porém patina na infra-estrutura que carece de alguns equipamentos.

Para incorporar a “nova” vocação, Torrinha luta para compor os produtos que irão atrair o turista. A pinga bidestilada, as pousadas e os hotéis fazendas já estão prontos para receber.

Os poucos restaurantes, três no total, não possuem serviços especializados, o que os deixa em desvantagem à famosa cidade vizinha, Brotas. A velha estação da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, totalmente restaurada, deve ganhar novo layout com a inauguração da loja de artesanato.

Na área de agricultura, um novo produto de Torrinha está ganhando espaço na região. Um orquidário produz 400 vasos da flor por mês. A destilaria de extração de óleos essenciais é uma empresa que já se consolidou no mercado nacional e externo.

O município, que possui 70% de sua Área de Proteção Ambiental (Apas), tem belezas naturais incríveis como o encontro do rio Tietê com o Piracicaba e o morro Testemunho que atrai os amantes do vôo livre.

As capelas rurais, uma atração à parte, ainda estão sendo catalogadas para, posteriormente, serem visitadas. Segundo a Secretaria de Turismo, elas somam 12, cada uma com características próprias.

Torrinha é uma cidade pouco conhecida no turismo, mas possui pontos curiosos que irão, no futuro, trazer muitas divisas para o município. Um deles é o Vale da Pedra, localizado a cerca de 13 quilômetros do Centro urbano.

Para os praticantes de asa delta e paraglider, não há no Brasil ponto mais privilegiado, pois possui os quatro ventos: Norte, Sul, Leste e Oeste, o que permite vôos durante todo o ano. De um mirante é possível apreciar a Pedra Torrinha, que deu origem ao nome da cidade, pelo seu formato.

A cidade é cercada de imensa cuesta basáltica, canyons, cavernas, grutas e matas virgens que protegem suas 42 cachoeiras da ação do homem, algumas delas localizadas em propriedades particulares.

Para conhecê-las, ainda falta infra- estrutura. Não são todas em que o acesso é permitido, até por questão de segurança.

A cachoeira do Mira, por exemplo, tem, aproximadamente, oito metros de altura, o acesso é fácil, por estrada de terra, um verdadeiro convite aos jipeiros e motoqueiros apaixonados por aventuras. A queda de água forma uma piscina natural, algo inigualável. A cachoeira do Bissoli, com 30 metros de altura, é a melhor opção para quem gosta de muita aventura. Ela permite rapel e canyoning.

A cachoeira do Jacinto e Santana são as duas que serão comercializadas pela nova agência de turismo. Na do Jacinto, se o turista chegar cedo e avisar que vai almoçar é possível comer um feijão típico e uma costelinha de porco. A trilha dura três horas.

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