Varsóvia - O desabamento do teto de um pavilhão de exposições na cidade de Katowice, no Sul da Polônia, deixou ao menos 66 mortos e mais de 160 feridos. As equipes de resgate, depois de mais de 20 horas de buscas, já informaram que não esperam encontrar mais sobreviventes sob os escombros.
O acidente ocorreu anteontem por volta das 17h30 (14h30 em Brasília). “Há pouca chance de que haja pessoas (vivas) aprisionadas lá embaixo”, disse o chefe dos bombeiros Kazimierz Krzowski, depois de inspecionar o local - que fica perto do subúrbio de Chorzow, nos arredores de Katowice (350 km a sudoeste de Varsóvia, Capital do país).
Cerca de 1.300 pessoas, entre eles mineiros, trabalharam no resgate das vítimas. Krzowski disse que está à espera de equipamento pesado para remover os escombros do edifício.
O acidente ocorreu durante a exposição anual de pombos que acontecia na cidade. A estimativa das autoridades é de que havia 500 pessoas no pavilhão quando a estrutura cedeu ao peso da neve. Os feridos foram levados a 15 hospitais locais.
Um porta-voz do governo local confirmou que 66 pessoas morreram, mas representantes das brigadas de incêndio estimam que pode haver centenas de corpos sob os escombros.
O primeiro-ministro polonês, Kazimierz Marcinkiewicz, disse que viu a última pessoa viva ser retirada dos escombros às 22h (19h em Brasília) de ontem. O ministro polonês da Saúde, Zbigniew Religa, disse que, entre os feridos, não há ninguém que corra risco de morte.
O organizador da exposição Andrzej Skrzys disse que entre 11h e 13h (8h e 10h em Brasília) havia entre 7 mil e 8 mil pessoas no local.
Autoridades polonesas disseram que 14 estrangeiros estão hospitalizados no que consideraram o pior acidente ocorrido na Polônia desde a queda de um avião em 1987, próximo a Varsóvia, que deixou 183 mortos.
Luto
Varsóvia - O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, declarou luto oficial no país, com início às 15h (13h em Brasília) e deve durar até quarta-feira (1 de fevereiro).
Os responsáveis pelo pavilhão disseram, segundo a imprensa polonesa, que a neve era retirada regularmente do teto. Os bombeiros, no entanto, afirmam que foi o peso da neve que causou o acidente.
A agência PAP informou que as investigações para determinar a causa do ocorrido já começaram. A Polônia é mais um dos países que sofrem com a intensidade do inverno mais frio das últimas décadas, com temperaturas que, em alguns países, chegaram a -30º.
O frio já causou cerca de 200 mortes na Polônia, comprometendo o sistema de transporte no país e o fornecimento de combustível. No dia 2 de janeiro, o teto de uma pista de patinação em Bad Reichenhall, na Alemanha, ruiu devido ao peso da neve, deixando um total de 14 mortos.
Papa reza
O papa Bento XVI rezou ontem pelas vítimas do desabamento. “Ao saudar os peregrinos poloneses, penso no trágico acidente ocorrido ontem em Katowice, no qual muitas pessoas perderam a vida”, disse o papa, dirigindo-se à multidão reunida na praça São Pedro em polonês.
“Confio à misericórdia de Deus todos aqueles que pereceram, uno-me em espírito às suas famílias e àqueles que ficaram feridos neste acidente”, acrescentou. “A todos, dou minha bênção.”
O papa também saudou ontem os leprosos e pediu à comunidade internacional que aumente os esforços na luta contra a pobreza, por ocasião do 53.º Dia Mundial da Lepra.
O cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, presidente do Pontifício Conselho para a Saúde, pediu ontem a distribuição gratuita de medicamentos para combater a lepra. Como fazia João Paulo II, o pontífice alemão soltou pombas brancas da janela de seu quarto no Vaticano.
No entanto, uma das aves retornou poucos segundos depois à habitação papal pela janela aberta. “Prefere ficar com o papa, mas recuperará sua liberdade”, brincou o sumo pontífice.