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Quase 18 mil alunos voltam às aulas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O sinal de intervalo consuma o final das férias. Ontem, o apito já foi ouvido por parte dos 17.500 alunos das escolas particulares de Bauru. O restante vai relembrá-lo amanhã. O som ainda anuncia a retomada de uma rotina que altera o clima da cidade. Não é à toa. Nesta semana, também voltam aos bancos escolares as cerca de sete mil crianças matriculadas nas escolas de ensino fundamental da rede municipal de ensino.

As 13.012 estudantes do ensino infantil do município ganharam mais uma semana e retornam na próxima segunda. Mas até o dia 13, ninguém terá escapado. Cumprirão à risca a tradição da lista de chamada também os mais de 49 mil alunos da rede estadual. O fim do período de descanso não é sinônimo apenas de compromisso e horários rígidos para pais e filhos.

Reflete ainda ansiedade para quem vai estudar em escola nova ou contava os dias para rever os colegas. A estudante Isabela Kronka Barbosa, 12 anos, estava impaciente para botar o papo em dia com as amigas e passou o final de semana cuidando de cada detalhe do material escolar. “Eu gosto de fazer isso. Alguns amigos meus vieram em casa (nas férias), mas ninguém da minha sala. Foi legal (o retorno)”, conta.

A mãe dela, Débora Regina Kronka Barbosa, também comemorou a volta às aulas. Ela se sente mais disposta ao acordar cedo para levar a filha à escola. Admite, no entanto, que a casa fica mais tranqüila neste período. “Agora, começam nossas férias”, diz.

Correria

Já para o funcionário público Fernando Slompo, o ano letivo dá largada ao período de correria. Pela manhã, ele ficará com o casal de filhos de 10 e 8 anos. Os levará para a escola à tarde e os buscará para acompanhá-los à casa da avó. “Eu trabalho à noite e minha esposa estuda (à noite). Vão ficar com a avó. Alguns dias, terão de almoçar na própria escola (porque a mãe também fará cursos pela manhã)”, conta.

Por causa do vaivém, ele encara as férias escolares como dias de descanso. Não bastasse tantos compromissos, o início deste ano letivo ainda foi cercado por uma pitada a mais de ansiedade em relação aos anos anteriores. É que as crianças mudaram de escola, medida que demandou bastante conversa em casa. “A gente fica um pouco apreensivo com a adaptação. Mas eu conheço os dois e sei que eles são fáceis (de adaptarem-se)”, explica.

De fato, Nayara, 9 anos, parecia satisfeita com a mudança. “Estava ansiosa para conhecer (a escola e os novos colegas). Achei a professora muito legal”, afirma.

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Transferência

Transferir uma criança de escola exige muita conversa em casa, como aconteceu entre Fernando e Nayara. A recomendação é da pediatra Sônia Maria Alves Fiocchi e da psicóloga Ana Cristina Pereira.

“Os pais precisam dar suporte durante a adaptação. Se estiverem seguros, a adaptação será melhor. As crianças têm uma percepção incrível”, alerta a médica. O diálogo, no entanto, deve se estender para dentro da escola. Os pais precisam conhecer a escola, professores e a nova rotina das crianças para saber se a necessidade delas está sendo atendida.

A pediatra destaca a existência de inúmeras escolas boas, mas lembra que, de antemão, a individualidade da criança deve ser avaliada quando a opção por uma escola estiver em pauta. “Hoje em dia não se leva mais em conta (a individualidade). Como o método de ensino está padronizado, o choque é principalmente emocional, pela perda dos vínculos”, acrescenta Ana Cristina.

Cabe aos pais, então, minimizar o problema. “Tem que deixar a criança expressar o sentimento dela e conversar sobre a necessidade dela continuar lá (caso não haja outra alternativa e ela tenha muita dificuldade de adaptação)”, conclui a psicóloga.

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