Com os braços, as costas e rosto feridos, uma criança de 5 anos foi levada ontem à tarde à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para contar uma história de agressão. Ela foi surrada no sábado pelo namorado da mãe, sem que ela presenciasse. A atitude violenta do rapaz não seria inédita, conforme o relato do menino. No entanto, ainda não tinha resultado em tantos hematomas e arranhões como desta vez.
Os machucados resultaram num boletim de ocorrência registrado no domingo à tarde e na internação da criança no Pronto-Atendimento Infantil. O garoto recebeu alta ontem e já foi submetido ao exame de corpo de delito. “Hoje (ontem) tentamos contato (com o acusado pelas agressão), mas não tinha ninguém em casa”, conta a titular da DDM, Rejani Borro Tiritan.
De acordo com ela, um inquérito foi instaurado para que seja possível verificar a responsabilidade da agressão e a gravidade dela. Até lá, é possível que a criança continue na casa dos avós paternos, para onde foi encaminhada ontem. “Ela (a avó) falou que a mãe também pode ficar lá. Amanhã (hoje) vamos falar com o juiz (da Vara da Infância e Juventude) Ubirajara Maintinguer”, explica a presidente do Conselho Tutelar, Cássia Tosim Paley.
De acordo com ela, o pai vai pedir a guarda provisória da criança, embora reconheça que a ex-mulher nunca foi negligente com o filho. Quando ela percebeu que a criança havia sido agredida, teria saído da casa do namorado e tomado as providências necessárias. A ação do rapaz teria sido uma retaliação a ela por causa de um desentendimento iniciado numa farmácia.
Por causa da briga, o acusado pela agressão teria deixado a moça no estabelecimento comercial e partido de moto com a criança. Quando ela chegou na casa dele, o rapaz teria dito à namorada que a criança tinha caído e se machucado. A versão foi contestada pela própria vítima. O caso da criança vai entrar para as estatísticas do Conselho Tutelar, que registrou no ano passado 208 notificações de agressões físicas contra crianças.
Conforme o JC já divulgou, o número de registros aumentou 58% em relação a 2005, quando foram registrados 131 casos. O nome da criança e dos pais foram preservados para evitar constrangimentos à família e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).