Internacional

Hamas pede manutenção de ajuda

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Jerusalém - O grupo terrorista Hamas, vencedor das eleições legislativas palestinas realizadas na semana passada, pediu ontem à comunidade internacional que não cortasse a ajuda financeira aos palestinos. O mesmo apelo partiu de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina e membro do Fatah, partido que perdeu as eleições para o Hamas.

“Nós pedimos a vocês que mandem toda a ajuda ao Tesouro do Ministério Palestino das Finanças”, exortou ontem Ismail Haniyeh, um do líderes do Hamas.

O pedido foi feito em virtude das ameaças dos EUA e da União Européia de cortar a ajuda que mandam aos palestinos se o Hamas não se desarmar. Israel já cortou seu repasse de verbas aos palestinos, de dezenas de milhões de dólares, por temer que o dinheiro acabe por financiar atividades terroristas.

“Nossa mensagem ao Hamas é para que eles se livrem das armas, desaprovem o terrorismo e trabalhem para levar ao povo dos territórios palestinos o que lhes prometeram”, disse o presidente dos EUA, George W. Bush.

Os EUA haviam programado dar aos palestinos US$ 236 milhões em ajuda neste ano. Reunidos ontem em Bruxelas, chanceleres dos países da União Européia pediram que o Hamas se desarmasse, reconhecesse o Estado de Israel e renunciasse à violência, caso contrário a ajuda da Europa também seria cortada.

“Os países europeus têm de entender que o povo palestino precisa desesperadamante dessa ajuda”, disse Mahmoud Abbas. “Eu espero sinceramente que eles mudem de posição.”

“Cabe ao Hamas o ônus de renunciar à violência”, disse Jack Straw, chanceler do Reino Unido. “Nós lhes asseguramos que todo o dinheiro (recebido) será gasto em salários, despesas diárias e infra-estrutura”, apelou Ismail Haniyeh.

Já Mohammed Nazzal, um dos membros da cúpula política do Hamas, disse à rede de TV Al Arabiya que, “se os países da União Européia e os americanos vêem isso como uma forma de levar o Hamas a mudar sua posição estratégica, eles estão sonhando”.

Ontem, o Quarteto, grupo formado por EUA, Rússia, ONU e União Européia, responsável pelo plano de paz Mapa do Caminho, também se reuniu, em Londres, a fim de debater a situação. Ao fim da reunião, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, reafirmou os apelos internacionais, pedindo que o Hamas abdique da violência.

Segundo um membro do alto escalão do Hamas cujo nome não foi divulgado, Mahmoud Abbas vai se encontrar futuramente com Khaled Meshaal, um dos líderes do Hamas, a fim de discutir a situação política dos palestinos.

Não foram dados detalhes do local nem da data do encontro. Abbas, que recebeu ontem a chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, disse que não renunciaria à presidência da ANP e que se reuniria com o Hamas em duas semanas para discutir a formação do gabinete da ANP.

____________________

Fim da violência

Jerusalém - A União Européia (UE) exigiu ontem que o movimento islâmico radical Hamas renuncie à violência e reconheça Israel, como condições para que a Autoridade Nacional Palestina continue recebendo ajuda financeira do bloco europeu. "Exigimos que o Hamas e as outras facções renunciem à violência e respeitem o direito de existência de Israel", disse a ministra austríaca das Relações Exteriores, Ursula Plassnik, cujo país preside a UE, ao final de uma reunião com países do bloco, em Bruxelas.

Na manhã de ontem, o premiê interino de Israel anunciou o congelamento dos fundos que deve à Autoridade Nacional palestina (ANP) alegando temer que o dinheiro chegue às mãos de terroristas.

O premiê interino israelense se referia a uma verba de US$ 35 milhões que deveria ser transferida para a ANP amanhã.

Comentários

Comentários