Politicando

Defunto na sombra


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Certa vez o BAC foi convidado para inaugurar um estádio de futebol, em uma cidadezinha da Alta Paulista, e para lá seguiu a delegação baqueana com Balbino Simões de técnico. Logo de manhã, os dirigentes locais foram ao hotel, onde estava o BAC, e convidaram a delegação bauruense para conhecer o estádio que seria inaugurado à tarde. Foram todos, inclusive Balbino.

Orgulhosamente, prefeito e diretores do clube iam mostrando as dependências do estádio. Do quinto e último degrau das arquibancadas, Balbino espiava o terreno ao lado, todo arborizado e exclamava baixinho.

- Isto é coisa de brasileiro!

A insistência na exclamação chamou a atenção dos locais até que o prefeito perguntou a Balbino sobre o que falava. Com a postura que lhe era peculiar, Balbino foi logo dizendo:

- O senhor pode me dizer o que há naquele terreno, todo arborizado?

- Ali é o cemitério de nossa cidade.

- Só podia ser coisa de brasileiro – exclamou Balbino. Lá, cheio de árvores, fazendo sombra e aqui este solão danado, sem nenhum abrigo para os torcedores – e concluiu a sua moda – pra que defunto quer sombra?

Fonte: Na Boca do Túnel, de José Carlos Galvão de Moura. Encaminhada por Antonio Pedroso Júnior

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