Cultura

Fabiana Cozza mostra talento no samba

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Comparada pelos críticos a grandes intérpretes como Elis Regina e Elizeth Cardoso, a paulistana Fabiana Cozza mostra toda sua brasilidade no show que o Serviço Social do Comércio (Sesc) promove hoje, a partir das 21h. Indicada a três categorias no Prêmio TIM 2005 (Artista Revelação, Melhor Cantora de Samba e Melhor Cantora pelo Juri Popular) e à categoria Revelação no Prêmio Rival Petrobras de Música 2005, a artista faz uma viagem pelo samba, interpretando composições de mestres do gênero, como Wilson das Neves, e dos não tão conhecidos Jerônimo e Quinteto em Branco e Preto.

Mais do que cantar, Fabiana domina o palco e encanta a platéia dando a pitada certa de emoção a cada letra. Sua performance rendeu elogios dos críticos e a consagrou como a nova revelação da música brasileira. “Sigo o caminho da intérprete e não da cantora. Procuro fazer do show um espetáculo e, por isso, me sinto lisonjeada ao ser comparada a intérpretes que divulgaram a música brasileira em todo o mundo”, coloca.

No show de hoje, a artista interpreta canções de seu primeiro CD, como “A morte de Chico Preto”, de Geraldo Filme; e “Acima de Tudo Mulher”, do paulista Ideval Anselmo, notório samba-enredo da escola de samba paulistana Camisa Verde e Branco, gravada pelo pai de Fabiana, Osvaldo dos Santos, então intérprete da escola, e agora cantada pelos dois. O disco foi batizado com o nome de um samba de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, “O Samba é Meu Dom”, lançado em 2004 de forma independente.

Na apresentação, a artista também mostra músicas do seu segundo disco, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano, como “Coisa Feita”, de João Bosco e Aldir Blanc, e “Tendência”, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão. “Não tenho pressa em gravar. Meu mote é a africanidade brasileira. Defino o repertório a partir da minha própria história, que está ligada à cultura afro. Minha referência é de sambista, do batuque”, define.

Acompanhada por Renato Epstein (violinista) e por Douglas Alonso (percussionista), Fabiana promete um show dançante, em que o público poderá conferir o seu samba bebido dos bambas como Nelson Cavaquinho e Cartola, e que ganhou uma nova roupagem, graças a seu talento de cantora e atriz.

Das quadras aos shows

Nascida e criada no Carnaval, Fabiana sempre teve o samba como música de fundo. Filha do intérprete. Osvaldo dos Santos, Fabiana acompanhava o pai nos desfiles da escola desde criança. “Meu pai foi o meu grande mestre. Por ele me liguei ao samba e a ele devo grande parte de minha formação musical”, conta.

Aos 20 anos, Fabiana entrou para a Universidade Livre de Música Tom Jobim, onde pôde desenvolver suas potencialidades artísticas. Mas as dificuldades da carreira quase a fizeram desistir. Formada em jornalismo, a intérprete relegou o samba ao hobby, tocando apenas em bares de São Paulo, até que um dia o sangue falou mais alto. “Não conseguia conciliar o jornalismo e o samba e pensei: entre ser uma jornalista medíocre e uma cantora com possibilidades, serei um cantora”.

A escolha foi mais do que acertada. Com o CD nas mãos e quatro indicações em 2005, Fabiana saiu dos bares da Vila Madalena, em São Paulo, para se lançar no Brasil. Com shows marcados no Rio e em São Paulo, a artista agora espera o contato de uma gravadora para lançar seu segundo disco. “As empresas têm que perceber que samba não tem raça, nem é moda. Samba é brasileiro e sempre vendeu disco”, aponta.

• Serviço

Show com Fabiana Cozza, hoje, às 21h, na área de convivência do Sesc. Ingressos a R$ 8,00 e R$ 4,00 (matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações: (14)3235-1751.

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