Internacional

Potências querem CS da ONU no Irã

Folhapress
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Londres - Em reunião concluída em Londres no início da madrugada de ontem, os chefes das diplomacias dos EUA, da França, do Reino Unido, da Rússia e da China concordaram em pedir que a Agência Internacional de Energia Atômica envie um informe sobre o programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da ONU.

Os cinco países são membros permanentes do CS, e do encontro também participou a Alemanha. A AIEA, agência da ONU para questões de não-proliferação, reúne-se a partir de amanhã para analisar a questão.

A decisão tomada em Londres representa uma nova etapa nas pressões diplomáticas que teoricamente podem desembocar na adoção de sanções econômicas contra o regime iraniano, suspeito de querer produzir a bomba atômica - intenção que ele sistematicamente tem negado.

O encontro na Capital britânica também representou uma inflexão por parte da China e da Rússia, parceiras comerciais do Irã que, até então, enfatizavam a necessidade de negociações e afastavam a possibilidade de sanções prejudiciais a seus interesses.

Os dois países devem enviar nas próximas horas emissários a Teerã, na tentativa de convencer a república islâmica a fazer concessões que desarmem a atual crise. Isso pode até acontecer em razão do longo cronograma para o caso.

A AIEA tem até março para se pronunciar. Antes disso, em 16 de fevereiro, o Irã retoma negociações com a Rússia para estudar uma solução conciliatória, pela qual a república islâmica abriria mão do enriquecimento de urânio em seus laboratórios.

A tarefa seria terceirizada por uma empresa binacional, que funcionaria em território russo. A França e a Rússia insistiram ontem no fato de ainda estarem abertas as portas de negociação. "A etapa diplomática ainda não se encerrou", disse em Paris o porta-voz da diplomacia francesa, Jean-Baptiste Mattei.

Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores, Serguey Lavrov, disse que o Conselho de Segurança não tomaria nenhuma decisão imediata. O responsável pela política externa da União Européia, Javier Solana, também insistiu ser "prematuro" evocar as sanções.

Os EUA, que representam a posição mais intransigente, disseram por meio de seu embaixador na ONU, John Bolton, que o encontro de Londres foi "um passo importante" para punir o Irã.

A Casa Branca, por meio do porta-voz Scott McClellan, disse que "agora há um forte consenso da comunidade internacional para tratar do assunto". Em Londres, o primeiro-ministro Tony Blair declarou hoje que as potências ocidentais haviam enviado "um sinal muito categórico" ao Irã, que preocupa a comunidade internacional.

Em Nova Déli, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse que seu governo terá por objetivo seus próprios interesses antes de decidir de que lado se posicionará. Aquele país integra o colegiado de 35 membros, o Conselho de Governadores da AIEA, dos quais se exige a unanimidade para a aprovação de um relatório sobre o caso.

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Principais instalações

Saghand

Mineração - Veios de urânio foram descobertos em 1985. Previsão de início da mineração é fim de 2006, com a produção de 50 a 60 toneladas de urânio por ano

Ardkan

Purificação - O urânio é purificado e transformado em um sal chamado "yellow cake". A capacidade de produção de 60 a 70 toneladas anuais

Gehine

Local onde estão sendo construídas instalações para mineração e enriquecimento de urânio, com capacidade de produzir 24 toneladas anuais de "yellow cake"

Isfahan

Conversão - Local onde o "yellow cake" é purificado e convertido em hexafluoreto de urânio (UF6), um gás que ainda será enriquecido

Natanz

Enriquecimento - Instalação em que centrífugas de gás aumentam a concentração do urânio-235 no UF6

Teerã

Enriquecimento - Instalação da Companhia Elétrica Kalaye, inoperante. Reator para pesquisa e depósito de lixo radioativo ainda funcionando

Bushehr

Local onde está prevista a construção, neste ano, de um reator adequado à produção de urânio para energia

Arak

Reator de água pesada, adequado à produção de urânio para armas.

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