Tribuna do Leitor

Tragédia na estrada


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Venho por meio da Tribuna do Leitor deste conceituado jornal expressar minha solidariedade às famílias dos motoristas mortos no acidente da semana passada. Fui motorista mais de trinta anos, passei muitos domingos, feriados, Natal, ano novo, aniversário de minha esposa e filhos trabalhando nesta profissão na qual sempre tive orgulho. O duro de tudo isso é você sentir uma profissão mal remunerada pelas responsabilidades que você tem. Hoje, tudo é mais moderno, fazem bons testes nos motoristas, há muitas palestras, psicólogos, carros novos, mas tudo isso não basta, pois é duro sair de casa deixar esposa e filhos para uma jornada de trabalho que só Deus sabe se volta.

Quando a gente passa por um acidente de ônibus, a primeira coisa que se ouve é: o motorista dormiu; estava em excesso de velocidade. Sempre o motorista que é o culpado, as empresas sempre têm uma saída. Já vi a morte mais de cinco vezes na minha frente, mas graças a Deus passei por todas elas. Só diz isso quem faz parte desta profissão. Quantos passageiros que vem ou vai passar fim de semana com seus familiares que às vezes moram em outra cidade e retornam no domingo à noite, pegam seus lugares, se acomodam e dormem, pois eles têm jornada de trabalho no dia seguinte, descansam porque sabem que tem um profissional à frente no qual eles confiam. Penso eu, o motorista não está sozinho, pode ter certeza que Deus está ao seu lado, independente de religião. Mas são raras as vezes, quando se chega ao final da viagem nas rodoviárias, que se escuta um cumprimento, "bom descanso", "obrigado pela boa viagem", mas se cometer um pequeno deslize, sempre tem alguém para fazer reclamação perante a empresa.

Essas poucas linhas que escrevi são poucas em relação à responsabilidade que carrega um motorista de ônibus. Seja ele nas linhas intermunicipais, estaduais e urbanos. Uma empresa de ônibus não se lembra dos motoristas do passado e sim do presente. Escrevo estas linhas, pois senti na pele as consequências deste acidente. Espero que estes dois seres humanos estejam em um lugar que eles mereçam, junto a Deus. Agora pergunto: quantos passageiros, esses dois motoristas já levaram? Torço que suas famílias não sejam esquecidas, pois tem que ser sempre lembradas na vida e na morte. Outro fato que lamento é que em casos como este as empresas de ônibus e o sindicato dos motoristas sequer trazem pelos órgãos da imprensa uma palavra de conforto à família dos motoristas acidentados, pois eles merecem! Que os motoristas de Bauru e do Brasil estejam sempre com Deus, pois a tarefa é muito árdua e desgastante.

Júlio Rossi Montebugnoli - motorista aposentado - RG 3.014.500

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