Economia & Negócios

Álcool eleva em 20% preço do açúcar

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

O consumidor já deve estar percebendo o aumento do preço do açúcar, de cerca de 20% em todo o País nos últimos 30 dias. Em Bauru, o Instituto de Pesquisas da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru (Data-ITE) constatou o reajuste durante a cotação mensal do preço da cesta básica. O açúcar é o quarto entre os itens da cesta que mais encareceram desde os primeiros dias deste ano.

Até dezembro, o pacote de um quilo do produto era comercializado a R$ 0,79. Atualmente, é vendido a R$ 0,95.

O aumento da produção de álcool em todo o Brasil é apontado como o principal motivador do reajuste do açúcar. Especialistas e empresários defendem o argumento pautados nos índices de produção e exportação dos dois produtos e na demanda dos carros flex, que só tem crescido.

Os supermercadistas de Bauru confirmam a alta do preço do produto, porém ressaltam que o consumo, pelo menos por ora, não foi afetado. O gerente de supermercado em Bauru, Marcos Femia, não acredita que as pessoas vão passar a comprar menos o produto. “O açúcar é um alimento de linha básica, não tem como substituí-lo. Ninguém vai deixar de consumi-lo”, observa.

Para ele, a instabilidade do preço, nesse período do ano, é normal. “Essa alta está aliada a dois fatores: ao aumento da exportação do açúcar e da produção de álcool. Tudo isso, torna escasso o açúcar no mercado interno”, completa.

Nas gôndolas

O gerente de compras de uma das redes supermercadistas da cidade, Paulo Sanchez, também revela que o preço do açúcar aumentou em cerca de 20% nos últimos dias. Ele entende que, em razão da entressafra da cana-de-açúcar, os estoques do produto estão terminando nos supermercados, além de acreditar, assim como Femia, que a produção de álcool tem tido maior prioridade que a do açúcar.

“O preço do produto está praticamente no mesmo patamar de janeiro do ano passado. Não tivemos mudanças consideráveis. Porém, espero que o preço aumente um pouco mais. Vamos esperar até o início da safra para saber como será o comportamento do consumidor”, comenta.

Muitas empresas do ramo de supermercados, para evitar a queda no consumo, têm procurado priorizar as marcas que não tenham sido tão afetadas pela alta do preço e, em conseqüência, evitam a compra de marcas que tiveram o aumento maior.

O presidente da Comissão Nacional da Cana-de-Açúcar (CNC), Edison José Ustulin, diz que a elevação no valor do produto deve ser atribuída, principalmente, ao mercado internacional. “A produção mundial tem ficado aquém da demanda. Por isso, os países têm procurado mais o açúcar brasileiro”, ressalta. No ano passado, segundo ele, a Rússia foi o maior importador do Brasil.

Ustulin também cita a peculiaridade brasileira em extrair da cana o álcool e o açúcar como outro fator contribuinte à situação. Ele revela que 52% de toda a produção de matéria-prima em 2005, que atingiu 400 milhões de toneladas, foi destinada ao álcool.

“É fato que o álcool está sendo priorizado neste momento. E, nos próximos anos, o destino da matéria-prima também enfocará mais esse produto, principalmente em decorrência da fabricação dos carros flex, que não pára de crescer”.

Em cinco anos, diz Ustulin, a meta é direcionar 65% da produção da cana à do álcool. O presidente da CNC adianta que não vai faltar açúcar no Brasil. De acordo com ele, a produção do álcool vai aumentar na mesma proporção da área de plantio da cana.

Para Ustulin, assim que a safra recomeçar - em abril -, o preço do açúcar deve cair e se estabilizar. “É natural que nessa época deva ocorrer uma oferta maior de açúcar e álcool no mercado, o que vai ocasionar a diminuição dos preços. Essa elevação, do momento, é sazonal”, considera.

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Cesta básica

O Data-ITE divulgou ontem o valor da cesta básica em Bauru referente ao mês de janeiro. De acordo com o levantamento, o valor da cesta ficou em R$ 175,10, o equivalente a 1,5% menor que o valor apurado em dezembro de 2005, quando foi totalizada em R$ 177,85. Os números mostram que a cesta voltou a apresentar queda de preços no mês passado, em razão dos grupos alimentação e limpeza doméstica.

“No mês anterior, os preços dos alimentos acompanharam o comportamento do consumidor, que aumenta sua demanda em razão das festas de fim de ano. Por outro lado, o mês de janeiro, com as férias escolares e ainda a ‘ressaca’ de final de ano, apresentou um comportamento de preços mais estável”, analisa o coordenador do Data-ITE, Reinaldo Cafeo.

Os aumentos de preços ocorreram com a batata (81,6%), absorvente higiênico (34,4%), feijão (22,5%), açúcar (20,3%) e a carne de primeira (10%). Apresentaram queda a cebola (-57,6%), frango resfriado (-36,7%), sabão em barra (-26,5%) e o ovo (-20,9%).

“Mesmo com fortes oscilações de preços e com discrepância acentuada (produtos que variam de preços em até 400% entre um mercado e outro) a cesta básica inicia o ano custando em seu valor mínimo 10,4% a menos do que janeiro de 2005, o que permite, na média, um aumento do poder aquisitivo do consumidor”, destaca Cafeo.

Os dados foram levantados em dez supermercados de Bauru. Foram considerados itens nos grupos alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica. A quantidade de produtos refere-se ao consumo de uma família média composta por quatro pessoas.

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