Em pelo menos quatro regiões de Bauru ainda era possível observar, ontem à tarde, sacolas de lixo acumuladas na frente das casas. À noite, o problema atingiu outros três bairros, onde a coleta não foi feita por falta de funcionários. Ainda assim, se os “bons ventos” contribuírem, segundo a Emdurb, a situação em toda a cidade poderá ser normalizada neste final de semana.
Até lá, a empresa municipal continuará lutando contra as dificuldades com frota e ausência de servidores, na tentativa de livrar a limpeza pública do caos, conforme o JC mostrou ontem. Para tanto, contará com o apoio de quatro dos cinco caminhões até então parados para manutenção. Um deles já havia sido incorporado ontem à rotina. Outros três voltam hoje às ruas.
Com a frota quase completa, bairros como Jardim Eldorado, Vila Industrial/Paraíso, Jardim Gasparini/Vila São Paulo e Vila Cardia/Parque Monlevade devem ser atendidos nesta sexta-feira, após o atraso de quarta-feira, segundo prevê a Emdurb. Já os setores que ficaram para trás ontem à noite, como, Jardim Santana e Parque Vista Alegre, devem ser percorridos amanhã. O vai-não-vai já contumaz na limpeza pública será uma constante até a conclusão do processo de terceirização da coleta de lixo.
Tuga avalia
Nem mesmo o prefeito Tuga Angerami (PDT) descarta essa possibilidade. “Em sua ampla maioria, a frota é consumida, corroída. As condições são precárias e isso está sendo dito deste do começo. Não vamos comprar caminhões. O que eu espero é que a direção da Emdurb mantenha o diálogo com os servidores”, informa o prefeito.
O contato com coletores e motoristas seria um modo de aplacar o desânimo que se abateu sobre a categoria, à espera do anúncio de demissão coletiva. A ansiedade, aliada à falta de informações oficiais, estaria provocando, inclusive, o aumento de faltas não justificadas.
“No momento que nós colocarmos o edital na rua, nós vamos chamar uma comissão (de funcionários), explicar quais as atitudes a que empresa vai tomar”, reitera o presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB). De acordo com ele, uma reunião agora seria inócua, porque nem tudo está formatado e as respostas não seriam satisfatórias aos eventuais questionamentos da categoria.
”Vamos dizer a eles que a terceirização vai melhorar a qualidade do trabalho. Mas eles têm que demostrar empenho em trabalhar (para favorecer a contratação pela empresa vencedora do processo de concorrência)”, diz. Ontem à noite, o diretor de Limpeza Pública da Emdurb, Jorge Monteiro, foi pessoalmente verificar as razões que resultaram em mais nove faltas no período noturno.
Desmotivação
Apesar do esforço, na opinião de Sandro Fernandes, advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e membro da Frente Frente de Resistência e Defesa do Serviços Públicos contra Terceirizações e Privatizações, a eventual desmotivação da categoria parte da própria Emdurb.
“Estão jogando a opinião pública contra os coletores. O processo de terceirização em curso pressupõe o desmonte da frota e a desmotivação do corpo funcional, porque na mente dos trabalhadores passa a perder o sentido lutar (pela manutenção da Emdurb). Passa a haver um convencimento coletivo de que não há mais nada a fazer. Então, a melhor alternativa é terceirizar”, esclarece.