Nacional

Campanha cobrará carne de qualidade

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O governo quer que o consumidor exija do produtor uma carne de melhor qualidade. É com esse objetivo que o Ministério da Agricultura lançará, em abril, uma campanha de segurança alimentar.

De acordo com Márcio Portocarrero, secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, o consumidor deve exigir que o produtor ofereça uma carne com a mesma qualidade que a exportada.

“Consumidor pode exigir e o mercado vai ter que se adaptar. E vai se adaptar rápido porque é a regra”, avalia. No entanto, ele lembra que a carne brasileira já dá a qualquer consumidor (interno ou externo) garantias sanitárias. Para o secretário, a legislação brasileira é bastante exigente nesse aspecto. “Não é uma campanha de terrorismo.”

O que o consumidor pode exigir do produtor é a forma como a carne é produzida, como as questões ambientais, sociais e tecnológicas. A campanha será lança durante a 2ª Conferência Internacional de Rastreabilidade, que ocorre em Brasília, em abril.

Para Portocarrero, a campanha poderá conscientizar de melhor forma o consumidor. No futuro, o Brasil poderia ter um padrão único de qualidade para a carne. Além disso, a maior parte da produção de carne bovina (80%) é consumida pelo mercado interno.

Carne rastreada

O governo alterou as regras do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) para atender à demanda dos compradores da carne brasileira.

“Com esse novo modelo teremos mais segurança sanitária”, disse o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Márcio Portocarrero, que informou que as regras devem ser publicadas em instrução normativa ainda em fevereiro.

A adesão ao sistema vai ser obrigatória para os produtores que querem exportar. Os pecuaristas precisarão ter as propriedades aprovadas para fazer parte do banco nacional de dados.

O processo para credenciamento prevê a identificação de todos os animais e precisa da aprovação de uma empresa certificadora, que fará vistorias a cada 180 dias para verificar o número de cabeças e o sistema de produção.

Após a aprovação, todos os animais nascidos na fazenda terão que ser cadastrados no sistema, assim como aqueles adquiridos de propriedades não-certificadas. Atualmente é permitido que uma fazenda mantenha animais identificados e não-identificados. Haverá um período de transição entre os dois modelos até dezembro deste ano.

Em janeiro de 2007, somente animais de propriedades certificadas poderão ser destinados à exportação. Além disso, a partir de janeiro de 2009, as propriedades aprovadas só poderão receber animais de localidades também certificadas. Assim, todos os animais destinados à exportação serão rastreados desde o nascimento.

Atualmente, a exigência da União Européia é de um rastreamento mínimo de 90 dias. Portocarrero disse que já foi feita uma apresentação inicial à missão da UE que está no Brasil verificando as ações contra febre aftosa, mas afirmou que os europeus pretendem fazer analisar o projeto já implantado.

O setor produtivo, que terá custo maior com o novo sistema, aceitou a mudança. “Se o cliente vai exigir isso, não temos como fugir”, afirmou o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.

Comentários

Comentários