São Paulo - Ao menos 28 detentos - que não querem usar uniforme, pedem uma bola de futebol, uma TV e um liqüidificador na cela, além de comida caseira e banho de sol o dia todo - iniciaram na quinta-feira uma rebelião no presídio Delegado Ferrugem, em Sinop (MT). Às 19h de ontem, mantinham três agentes penitenciários reféns no local.
O prédio não chegou a ser inaugurado oficialmente e já está depredado. Desde o início do motim, grades foram quebradas, e colchões, incendiados. Foi montada uma barricada no portão de acesso. Não há feridos.
O presídio tem capacidade para 336 presos. Há 190 no momento - apenas uma ala se rebelou. Os amotinados, da raia laranja, acabaram de ser transferidos de Cuiabá, de Lucas do Rio Verde e de uma cadeia da cidade.
Para o tenente-coronel Joelson Sampaio, eles estranharam as regras mais rígidas no local. “Eles estavam acostumados com algumas regalias. Mas esse prédio, que é novo, vai ter uma rotina diferente.”
Segundo ele, o governo não irá ceder às pressões. “A idéia é fazer dele um presídio modelo. Se atendermos (os pedidos), ele deixa de ser.” Sampaio, que negociava o fim do motim, disse no final da tarde que os detentos faziam questão de dois pontos: a transferência de quatro presos e visitas íntimas dentro das celas. Mas a lista original inclui 24 itens. Eles não querem usar um uniforme, pedem bola de futebol e que seja liberada a entrada de comida trazida pelos familiares e de eletrodomésticos no presídio (uma televisão, um ventilador e um liqüidificador).
Reivindicam ainda ficar na área de banho de sol do horário do café até a hora do jantar, a ampliação do horário de visitas, a garantia de trabalho e de proteção para todos os detentos e visitas regulares da comissão de direitos humanos. Para construir a unidade, foram gastos cerca de R$ 17 milhões - a maior parte foi paga pelo governo federal.