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RBD: famílias de vítimas abrirão processo

Folhapress
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São Paulo - Famílias das mulheres mortas anteontem durante apresentação do grupo musical mexicano RBD, no estacionamento do shopping Fiesta, na zona sul de São Paulo, pretendem processar os organizadores do evento e estudam pedido de indenização.

Hoje, a Promotoria da Infância e da Juventude também deve ingressar com uma ação civil pública e pedido de indenização às famílias das mortas e aos feridos. Duas meninas, Jennifer Xavier Mattos, 11 anos, e Fernanda Silva Pessoa, 13 anos, e a comerciante Cláudia Cristina Oliveira Souza, 38 anos, morreram pisoteadas e ao menos 42 pessoas ficaram feridas.

A organização do evento foi do Hipermercado Extra, do grupo Pão de Açúcar, e da gravadora EMI. O tumulto começou logo após o início da apresentação do grupo, quando as pessoas que estavam na frente foram empurradas e pisoteadas por outras que queriam se aproximar do palco.

Anteontem, fãs que assistiram à apresentação disseram que o tumulto aconteceu porque, por falha do som, as pessoas que estavam atrás não conseguiam ouvir as músicas. Segundo a prefeitura, não havia alvará para o evento. Na avaliação de familiares, houve falhas de estrutura e "irresponsabilidade".

A costureira Maria de Lourdes da Silva, 45 anos, mãe de Fernanda Pessoa, afirmou que os "organizadores foram irresponsáveis". Alguém vai ter de responder pela morte da minha filha." Familiares de Jennifer Mattos também disseram que os organizadores do evento serão acionados judicialmente. “Pensamos em fazer isso mais para frente”, disse Márcia Leonor Xavier, tia dela. Antônio Carlos Albertini, 51 anos, irmão de Cláudia Souza, entende que houve uma falha da organização. “Agora vou falar com meu filho, que é advogado, para ver o que faremos.”

Os corpos das três mulheres foram enterrados ontem, ao meio-dia, em cemitérios distintos na capital. Segundo o promotor Motauri de Souza, da Vara da Infância e da Juventude, além do alvará da prefeitura e do Corpo de Bombeiros para a realização do evento, os organizadores deviam ter solicitado ao Juizado da Infância e da Juventude uma permissão para um evento que iria reunir crianças e adolescentes. Ele não soube dizer se esse pedido foi feito.

O diretor de comunicação do grupo Pão de Açúcar, Paulo Pompilio, disse hoje que não tinha condições de confirmar essa informação, mas que o grupo está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos. Em eventos que recebam crianças e adolescentes, explica Souza, o juiz faz uma série de exigências, entre elas, a necessidade da presença dos pais ou dos responsáveis no local e o limite de idade. A Folha conversou anteontem com pelo menos dez jovens, entre 11 e 15 anos, desacompanhados. A polícia apura se houve homicídio culposo (quando não há intenção de matar), por negligência dos organizadores do evento.

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