O pedreiro Luiz Godoy Penteado, 53 anos, reclamava do trânsito de Bauru. O que lhe parecia violento, ontem pela manhã lhe tirou a vida. Ele morreu vítima de um acidente registrado no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Monsenhor Claro, por onde circulava de bicicleta.
Penteado sofreu parada cardiorrespiratória e foi reanimado pela equipe do resgate do Corpo de Bombeiros, que o levou ao Pronto-Socorro Central. Com hemorragia e politraumatismos, não resistiu aos ferimentos e aumentou o número de mortes no trânsito. Só neste ano são sete apenas na área urbana do município. Em 2005, o primeiro caso foi registrado somente a partir de março, conforme já divulgou o JC.
“Ele sempre tomou muito cuidado (ao conduzir a bicicleta)”, explica Lucimeire Zerlin Penteado Beraldo, filha de Luiz. De acordo com ela, o pedreiro só seguia para o trabalho de ônibus quando chovia. Em dias de sol, ele recorria à bicicleta. No trajeto, preferia ruas mais calmas e atalhos, mas recorria a eles só quando possível.
Segurança
Como ultimamente saía de casa às 6h e ainda estava escuro, Luiz optava por ruas mais iluminadas, como a Duque de Caxias, por motivos de segurança.
“Ele estava na mão correta. Eu quero que seja feita justiça e encontrem (o condutor do veículo envolvido na ocorrência e que não prestou socorro)”, afirma Lucimeire. As circunstâncias do acidente já estão sendo investigadas pelo 3.º Distrito Policial (DP). Ontem à tarde, o delegado Luís Carlos Amado ouviu motoristas de duas carretas, que passaram pelo local, próximo ao momento do acidente.
Segundo Amado, não há indícios de que os veículos mencionados estejam envolvidos na ocorrência. No entanto, caso o autor seja identificado durante o inquérito já instaurado, ele poderá responder por homicídio culposo na direção de veículo automotivo. Se condenado, a pena prevista é de dois a quatro anos de detenção.
A sanção deveria estimular o respeito entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Porém, a conduta nem sempre é vista nas ruas, confirma o comandante da Base Comunitária Sul da Polícia Militar, tenente João da Costa Duarte. Para piorar, de acordo com ele, muitos ciclistas têm o hábito de circular na contramão, sem equipamentos de segurança.
“Não é obrigatório, mas o uso do capacete é importante”, conclui.