Regional

Assassinato e abuso transformam vida de vizinhos em S. Carlos

Por Roberta Salgado | Do jornal São Carlos News, especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

São Carlos - Uma vila pacata, o distrito de Santa Eudóxia, no município de São Carlos (162 quilômetros de Bauru), foi cenário de um abuso sexual que levou à morte um adolescente dentro da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Centro da cidade, esta semana. Os dois crimes, o abuso sexual e o assassinato, transformaram a vida de duas famílias vizinhas que até então mantinham uma relação de boa convivência.

No centro desse drama, dois pais desesperados. Aparecido Francelino de Andrade, 41 anos, é pai de Robson Xavier de Andrade, 15 anos, acusado de ter abusado sexualmente do vizinho de apenas 3 anos, e que foi morto pela mãe da criança dentro da DDM. O laudo confirmou que a criança sofreu o abuso, mas não pôde determinar o autor. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a reportagem não identificará os pais da vítima dessa ocorrência que continua viva, o menino de 3 anos, para preservar a imagem do menor.

O pai da criança conta que flagrou o vizinho de 15 anos cometendo o abuso contra seu filho. A esposa dele foi presa em flagrante depois de matar o adolescente e teve o pedido de liberdade provisória negado pela Justiça anteontem. Desesperado, ele relata o sofrimento e a falta que a mãe faz aos cinco filhos, principalmente na hora de dormir. O de 3 anos coloca o tempo todo as mãos nas costas, numa referência às algemas nos braços da mãe. “Eu acho que, se minha mulher ficar lá (na cadeia), meu moleque vai ficar doente”, lamenta, com a tristeza estampada no rosto.

Ele possui um caminhão para vender lenha na região e afirma que está de pés e mãos amarrados, sem saber como reagir à situação com a esposa longe de casa. A dona de casa, além de cuidar das crianças, também tomava conta de cinco vacas de propriedade da família. “Eu não tenho como fazer nada.”

Ele se queixa do ato violento contra seu filho e conta que tirou a criança do colo do adolescente, na manhã do dia 7, nas proximidades de sua casa, já que o pai do jovem, Aparecido Francelino de Andrade, freqüentava a sua residência, prestava serviços para ele e era pago, ocasionalmente, para cuidar das crianças. Depois de tudo que aconteceu, ele diz que não guarda mágoas do pai do adolescente.

Delegada

A delegada da DDM, Eleuse Maria Gaspar Martins, contou que ainda está “anestesiada” com o fato chocante, que ocorreu na sua frente, enquanto ela realizava os procedimentos para encaminhar o caso ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) e providenciava um médico do IML para examinar a criança.

Ela nega que a faca usada pela mãe do menino de 3 anos para matar o adolescente estivesse embaixo de um banco na delegacia, como afirma o advogado de defesa da mulher, que está presa.

Comentários

Comentários