Uma cena bárbara chocou moradores da zona oeste da cidade na manhã de ontem. O corpo de um homem, reconhecido pela própria companheira como Claudionor dos Santos Queirós, 26 anos, foi encontrado carbonizado, dentro de um automóvel destruído pelo fogo, na estrada que liga a estação de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) à rodovia Elias Miguel Maluf. A dona-de-casa Ana Cláudia Venâncio, 24 anos, identificou o corpo no local através de uma pulseira que Queirós tinha no pulso e pelo veículo do companheiro, um Fiesta azul com placas CXF 0188 de Pirajuí.
A vítima, que trabalhava como pedreiro, estava completamente irreconhecível e com os órgãos totalmente consumidos pelas chamas, o que impossibilitou a polícia de averiguar se ele fora ferido ou mesmo assassinado antes de ter o corpo carbonizado. De acordo com a delegada plantonista Luciana Claro Rodrigues, que registrou o caso, não havia nenhum projétil no interior do Fiesta. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para a realização de necrópsia e exame de DNA, para identificação definitiva. “Foi possível retirar uma amostra de sangue de dentro do coração. Como ele tinha quatro filhas, vamos pedir amostras das crianças para a análise do DNA”, explica.
As investigações do caso já foram iniciadas ontem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e devem prosseguir durante a semana, com a busca de testemunhas e a oitiva da companheira e familiares de Queirós. A delegada Luciana afirma que o carro realmente estava no nome da vítima e que o veículo possuía seguro. O pedreiro não tinha passagem pela polícia.
Segundo informações registradas em boletim de ocorrência, a comunicação do caso ocorreu às 7h17 de ontem. Pelas condições do veículo incinerado e do corpo, a polícia aponta que o automóvel teria sido posto em chamas por volta de 3h30. A Polícia Civil não divulgou se já possui o nome de algum suspeito pelo crime.
No local
Segundo a esposa da vítima, a dona-de-casa Ana Cláudia Venâncio, Queirós teria saído de casa anteontem por volta de 23h, com o intuito de ir a uma casa noturna na avenida Castelo Branco. “Ele saiu de casa numa boa, foi sozinho no bailão”, conta. Consolada por familiares, ela relatou que estava preocupada, durante a madrugada, pela demora do companheiro em voltar para casa, na quadra 1 da rua Edson Luiz Beguini, no Jardim Ouro Verde.
Ela afirma que foi até o carro de Queirós após acompanhar algumas viaturas dirigindo-se para o local. Na estrada, próximo ao ponto onde o automóvel incinerado foi encontrado, Ana Cláudia permaneceu dentro de uma viatura até que os policiais averiguassem a cena. Ao identificar o companheiro, ela teve um ataque de choro e desmaiou.
Drama familiar
Segundo familiares que acompanhavam Ana Cláudia Venâncio no Plantão Policial, ontem pela manhã, e que preferiram não ter seus nomes divulgados, Claudionor dos Santos Queirós trabalhava como pedreiro e havia recebido uma proposta para atuar na cidade de Campinas. “Ele estava com a viagem marcada, ia para um trabalho bom, estava contente”, contou uma familiar. “A menina (Ana Cláudia) agora está sozinha, com as quatro filhas. Era ele quem trabalhava e sustentava as meninas. Como é que vai ficar essa situação?”, lamentava.
A irmã de Ana Cláudia, que preferiu identificar-se apenas como Neuza, se dizia chocada e revoltada com a morte do cunhado. “Ele não tinha inimigos. Ninguém morre de graça, a gente sabe que essa barbaridade não pode acabar assim. Queremos justiça, ninguém pode fazer uma coisa dessas”, afirma.
Queirós e Ana Cláudia viviam juntos há cerca de dez anos e tinham quatro filhas, com idades entre 1 ano e meio e 7 anos. “O que aconteceu? Não sei nem o que pensar, eu não quero lembrar disso. Como é que vamos ficar agora?”, exclamava a dona-de-casa.