Paulistânia - O prefeito de Paulistânia (48 quilômetros de Bauru), Hélio José Ferreira do Nascimento, decretou ontem situação de emergência no município por causa dos estragos provocados pela chuva dos últimos dias na cidade. Por algumas horas, durante a madrugada, o município ficou isolado quando o principal viaduto de acesso à cidade foi destruído pela força das águas.
Na via de acesso que liga o município à rodovia SP-225, por volta das 20h de domingo, uma ponte que existia no local foi destruída. A tubulação que passava por baixo da ponte, que deveria escoar a enxurrada, não foi suficiente para dar vazão ao grande volume de água, que acabou se infiltrando no solo arenoso das imediações do viaduto. Uma erosão de cerca de 40 metros de largura por seis de altura se formou no local.
De acordo com o prefeito, outras cinco pontes, de acesso às área rurais, foram destruídas com a chuva. Ele decretou, ontem, situação de emergência no município e hoje deve se reunir com o chefe da Defesa Civil de São Paulo. “Nós estamos agilizando, através do deputado Pedro Tobias, e estaremos indo para São Paulo. Marcamos uma audiência com o chefe da Defesa Civil”, conta o chefe do Executivo.
Segundo Nascimento, a chuva de domingo foi a “gota dágua” já que a cidade vinha sofrendo com as chuvas há vários dias. “O que tinha chovido durante dois dias já infiltrou (na terra), mas o que ocasionou a queda das pontes foi essa (chuva) de domingo. A água ficou uns 10 mil ou 12 mil metros quadrados represadas e foi onde rompeu (o viaduto)”, comenta Nascimento.
Além da via de acesso principal, que é asfaltada, a cidade conta apenas com mais uma estrada de terra que liga o município à SP-225. Vários veículos ficaram atolados no período da noite de domingo até a manhã de segunda-feira.
“Eu queria entrar na cidade, mas não deu. Era de madrugada, por volta das 5h, e eu tive que voltar para Bauru”, conta o comerciário José de Souza, morador de Paulistânia.
A cidade ficou sem energia elétrica, a partir do domingo à noite, devido o desabamento dos dois postes que estavam sobre o viaduto. Até ontem à noite, Paulistânia continuava sem energia elétrica. A previsão é de que hoje a distribuição esteja normalizada. “A concessionária já está no local e até amanhã (hoje) deve estar restabelecida a energia elétrica”, avisa o prefeito.
Os ônibus intermunicipais deixaram de circular pela cidade e prejudicaram a vida dos moradores que agora precisam andar cerca de quatro quilômetros até a rodovia. “Antes, ela pegava o ônibus na cidade. Agora, ela vai ter que pegar lá em cima. Dá uns quatro quilômetros de Paulistânia até o asfalto”, lamenta o aposentado Claudino Meira Dias, que acompanhava a neta, moradora de Espírito Santo do Turvo, até o ponto de ônibus da rodovia.
“Nunca aconteceu isso por aqui. Já teve enxurrada, mas desse jeito nunca”, disse surpreso o trabalhador rural Armêndio Rodrigues Santana.
Sidnei Santos da Silva, morador do bairro Limoeiro, distante 3 quilômetros da cidade, teve que atravessar a via de acesso para o Centro em meio às águas. “Cheguei lá na ponte, a um quilômetro de casa não sabia como atravessar. A hora em que eu passei a água estava no joelho. Se eu demoro mais uns 15 minutos, não chegava em casa”, relata assustado.
O prefeito espera conseguir ajuda do governo do Estado para reconstruir as pontes. “O volume (de dinheiro) é muito grande. Cada ponte dessas (metálicas) custa de R$ 70 mil a R$ 80 mil, vai ser preciso mais de R$ 300 mil”, diz.
Segundo ele, a prefeitura deverá adequar a estrada alternativa, que sai da rua Tomás Madaleno, para o tráfego de veículos pesados, enquanto o viaduto principal não for refeito. “Nós vamos ativar o acesso secundário, não pavimentado”, explicou o prefeito.