Regional

Lençóis sofre 2 enchentes em menos de 12h

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - Cinco barragens, localizadas na bacia do Rio Lençóis, causaram enchentes ontem no Centro de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru). No início da noite, a prefeitura orientava os moradores a economizar água devido à paralisação do funcionamento da Estação de Tratamento de Água (ETA). A casa de máquinas foi completamente tomada pela água do rio impedindo o funcionamento dos motores.

O prefeito de Lençóis, José Antonio Marise (PSDB), descartou decretar ontem, num primeiro momento, estado de emergência no município em decorrência das inundações e estava muito preocupado com o risco de precarização do fornecimento de água. “Nos preocupa a estação com os motores debaixo d’água. Estamos comunicando à população que faça economia de água, porque não temos idéia de em quanto tempo pode ser feita a recuperação destes motores”, explica. Durante à noite, o fornecimento seria mantido com a água bombeada dos poços artesianos, que correspondem a 30% do total de água ditribuída na cidade.

No começo da noite de ontem, equipes do Corpo de Bombeiros de Bauru reforçaram o atendimento das residências às margens do rio. Conforme o sargento do CB, Vinícius José Silva, imóveis a cerca de 50 metros de cada margem do rio estavam inundados numa extensão de, aproximadamente, quatro quilômetros. Não havia vítimas, mas as casas estavam com água numa altura de 40 centímetros até um metro e meio. Até o fechamento desta edição, não havia um balanço da destruição causada pela enchente.

A primeira enxurrada invadiu a cidade na hora em que a população se dirigia ao trabalho, alagando a região central por volta das 6h. A segunda enchente ocorreu por volta das 17h30. Quatro horas antes, o nível do rio vinha baixando, mas uma hora e meia depois subiu de forma surpreendente. Era a quinta barragem se rompendo, agora no perímetro da cidade - as outras quatro rodaram anteontem em Borebi. As enchentes não fizeram feridos e, até o início da noite de ontem, ainda não era possível prever os prejuízos materiais. Localizada na beira do rio, a ETA do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) foi o primeiro ponto alagado e a captação de água, inicialmente, teve de ser reduzida, para depois ser suspensa. O Parque do Paradão, inaugurado pela prefeitura no ano passado, também foi alagado. Na seqüência, estabelecimentos comerciais, em diversos pontos do rio, e outro parque público foram tomados pelas águas. O coordenador da Defesa Civil de Lençóis, José Alexandre Moreno, não sabia precisar quanto tempo levaria para o nível da água baixar.

Moreno, que também é diretor do SAAE, esclareceu que o alagamento pela manhã prejudicou a captação de água da estação sem causar prejuízo às instalações e equipamentos. “A nova enxurrada que está vindo (eram 18h40) pegou a gente meio desprevenido porque o pessoal já estava voltando para suas casas. Agora, temos que recomeçar todo o trabalho”, lamenta. Os telefones não foram afetados e o fornecimento de energia permaneceu normal na cidade. Porém, até o início da noite, não era possível para a Defesa Civil avaliar eventuais estragos na pavimentação das ruas centrais.

Primeira enxurrada

Em nota da assessoria de imprensa da prefeitura, um balanço parcial da Defesa Civil, antes da segunda enchente, apontava que pelo menos 50 casas foram atingidas pela água ao longo do rio, em vários pontos. Dentro das moradias, a água atingiu pelo menos meio metro. A água passou por cima das pontes e obrigou o fechamento de ruas em vilas da cidade. Equipes da administração municipal trabalharam no alargamento da calha do Corvo Branco desde o mês passado. “Como parte da área já foi limpa e alargada, o córrego suportou o represamento. Se não fosse isso, essa região seria bastante afetada”, explica o diretor de obras, Antonio da Silveira Corrêa.

A Diretoria de Assistência Social da prefeitura mapeou áreas de risco para levantar a necessidade de remoção de famílias para para abrigos.

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