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Saddam grita no tribunal: ‘Abaixo Bush’

Folhapress
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Bagdá - O julgamento do ex-ditador Saddam Hussein e de sete de seus colaboradores foi adiado para hoje no Iraque. A décima audiência do processo teve início ontem, com a presença do ex-ditador, que foi forçado pela corte a participar da sessão. Saddam e os outros sete réus do processo haviam afirmado que não atenderiam às sessões do julgamento enquanto não fossem representados por seus próprios advogados.

A corte havia indicado uma nova equipe após o boicote da defesa de Saddam, que exigia que o juiz Raouf Abdel Rahman fosse substituído, já que ele não estaria agindo de forma “justa”.

Ao entrar na sala de audiência, Saddam gritou “Abaixo Bush!”. Em seguida, afirmou que havia sido “forçado a entrar”. “Exercitem seu direito de me julgar em minha ausência. Vocês estão tentando superar sua própria pequenez?”, perguntou Saddam ao juiz.

Barzan Ibrahim, meio-irmão de Saddam e ex-chefe da inteligência, lutou com os guardas que o levaram até a sala de audiência. Em seguida, discutiu com o juiz, exigindo ser colocado em liberdade para receber tratamento para o câncer. “Estou morrendo aos poucos, vocês estão me matando”, disse. Abdel Rahman ordenou a realização de exames médicos em Ibrahim e mandou que ele se sentasse.

Abdel Rahman assumiu a chefia do júri no mês passado, no lugar de Rizgar Mohammed Amin - que renunciou após ser acusado de ser tolerante com o ex-ditador. A defesa de Saddam anunciou o boicote antes do início da nona audiência do julgamento, em 2 de fevereiro, exigindo a renúncia de Rahman. Saddam e outros quatro réus não participaram da sessão.

O julgamento de Saddam começou oficialmente em 19 de outubro passado. Nesse dia, o juiz que presidia a audiência, Rizgar Mohammed Amin, suspendeu o processo devido à resistência das testemunhas em depor. O ex-ditador voltou a ser julgado em 28 de novembro - 40 dias depois -, mas novamente houve uma suspensão para que a equipe de defesa substituísse três advogados: dois que foram assassinados e um que fugiu.

No dia 5 de dezembro, novamente o Tribunal Especial Iraquiano se reuniu para julgar Saddam. As primeiras testemunhas - incluindo uma mulher - prestaram seu depoimentos e revelaram os horrores supostamente cometidos por Saddam contra os moradores de Dujail. Em 7 de dezembro, Saddam boicotou o julgamento e não compareceu ao tribunal, alegando maus-tratos e dizendo ter sido impedido de tomar banho, usar roupas limpas e caminhar no pátio da prisão. O juiz acabou por decidir realizar o julgamento sem a presença de Saddam, mas o processo foi novamente adiado.

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