Polícia

Tiros causam corre-corre no Centro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Dois disparos de arma de fogo em uma das principais ruas do Centro de Bauru causaram grande tumultuo na tarde de ontem. Os tiros foram em direção a um grupo de adolescentes que estava em frente a uma entidade assistencial, na quadra 16 da rua Antônio Alves, que saiu correndo do local. Um deles, o suposto alvo das balas, fugiu e se trancou no banheiro de uma empresa da região.

Para atender a ocorrência, cerca de dez viaturas da Polícia Militar foram acionadas, entre veículos das bases Sul e Centro, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e Força Tática. Até o helicóptero Águia foi utilizado na busca do autor dos disparos, numa operação coordenada pela capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Cia. Alguns adolescentes foram levados à Delegacia da Infância e Juventude (Diju), onde prestaram depoimento.

Os testemunhos foram divergentes. O jovem que teria sido alvo dos tiros alegou que os disparos não foram para ele. Enquanto uma testemunha disse que o atirador veio a pé até o local, outro jovem afirmou que ele estava na garupa de uma moto. Uma quarta testemunha disse ter reconhecido o autor dos tiros e a polícia foi até a sua casa e o levou para averiguação. O suposto alvo dos disparos disse que o jovem apresentado não era o atirador, apesar da testemunha ter confirmado a sua suspeita. No momento dos disparos, os jovens estavam reunidos em frente à sede do Projeto Vôo Livre, da Comunidade Bom Pastor, que possui parceria com a Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem).

Com base nos depoimentos, foi elaborado um termo circunstanciado pelo ato infracional para averiguação de disparo de arma de fogo. O jovem que foi apontado como sendo o possível atirador, passará por exame residuográfico para verificar a presença de pólvora em suas mãos.

As pessoas que trabalham ao redor da entidade afirmaram só terem escutado os estampidos. “Estávamos no fundo da loja, trabalhando. Só escutamos o barulho de três disparos”, conta um rapaz que trabalha bem em frente ao local. A Diju registrou apenas dois tiros. O maior susto foi na empresa onde a suposta vítima se escondeu. “A gente escutou os tiros e depois apareceu o rapaz correndo. Ele subiu as escadas e se trancou no banheiro”, relata Valéria Sampaio, atendente do escritório. Ela disse que os funcionários saíram e aguardaram a Polícia Militar aparecer e retirar o jovem. “Depois disso a gente vai começar a trancar a porta”, conta.

Na busca por suspeitos, a Polícia Militar acabou detendo três jovens em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal, na avenida Nações Unidas. Inicialmente eles foram reconhecidos por uma testemunha, mas depois foram liberados, ao comprovarem que nada tinham a ver com o incidente. Eles estavam correndo porque estavam atrasados para um compromisso.

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Reinserção dos jovens

Em atividade desde julho do ano passado, o Projeto Vôo Livre atende jovens que cumprem a medida sócio-educativa de liberdade assistida. A entidade realiza acompanhamento psicológico, supervisão da freqüência escolar e regulariza os documentos pessoais dos adolescentes que estão cumprindo a medida. O projeto também encaminha os jovens para cursos profissionalizantes da rede pública e viabiliza parcerias para bolsas de estudos para os assistidos.

Cerca de 30 adolescentes estavam na instituição aguardando o início do trabalho de acompanhamento quando aconteceu o incidente. “A maioria já estava dentro da sede quando aconteceu. Graças a Deus ninguém se feriu”, conta Celenita de Oliveira Coelho, coordenadora do projeto.

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