Tribuna do Leitor

JK e um militar pouco lembrado


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Li gente escrevendo por tudo quanto é canto sobre JK. Tudo influência, claro, da minisérie que ainda rola na TV Globo. Confesso que quase não assisti nada. O horário para mim é ruim e nunca tive paciência com esse negócio de capítulos. O que sempre fiz sobre JK e seu período de governo foi ler muito. É um período muito interessante de nossa história. Devorei tudo o que encontrei sobre o período militar e como o Governo JK antecedeu os nefastos anos da ditadura, também fez parte de minhas leituras. Dentro desse período, uma pessoa me fez pesquisar muito aqueles tumultuados anos.

Essa pessoa não foi o presidente JK. Antes de falar propriamente dela, reafirmo minha ojeriza ao fardamento militar. Tudo porque vivenciei o quanto a ditadura foi horrorosa para todos nós. A farda militar verde-oliva representou para mim, durante muitos anos, algo repugnante, amedrontador, pois eles fizeram de nós gato e sapato, tínhamos que permanecer calados, sob o tacão daquelas obtusas botas. Isso bastava para cortar volta de qualquer farda e quartel. Porém, um deles, por tudo que li, foi um grande exemplo para todos nós. Não, esse militar não foi o Duque de Caxias. Esse viveu muitos anos antes e eu ainda guardo certa reserva, pois reprimiu violentamente autênticos movimentos populares.

O meu modelo de militar esteve ao lado de JK, ao lado da legalidade, sempre. Era o Marechal Lott, uma figura um tanto ignorada e menosprezada na historiografia brasileira. Talvez isso tenha ocorrido por causa da coragem de seus atos, num país de insuperáveis covardes. Só para ir relembrando um pouco de sua atuação, cito seu papel marcante na Revolta de Jacareacanga (1956), Aragarças (1959) e na segunda resistência a um Golpe Militar, ocorrido em agosto de 1961. Nacionalista convicto e avesso a quarteladas, seu eficiente desempenho militar e político lhe renderam ódio eterno dos que tomaram o poder em 1964.

Sim, Lott foi um dos últimos honestos e íntegros que conheci. Terrivelmente sincero, não conseguia ocultar seus sentimentos. Por ser íntegro tornou-se um tanto perigoso para nossos cordiais e pérfidos costumes políticos. Jamais admitiu o nepotismo, mudando radicalmente o sistema de promoções no Exército, que comandou eficazmente. JK agradecia aos céus por existir alguém como Lott em seu caminho, alguém capaz de morrer pela legalidade. Lott sabia muito bem quem eram os verdadeiros inimigos da Nação e, enquanto teve forças, não lhes deu tréguas. Peitou as tais forças ocultas em inúmeras ocasiões.

Reverencio Lott como um mártir, merecendo ser chamado de “Soldado Absoluto” (título de um livro em sua homenagem) e quem melhor represente a dignidade nacional, tomando de Caxias o título de Patrono do Exército. Prestem um pouco de atenção no Lott que estamos vendo na TV e entenderão do que estou falando. Curvo-me para falar dele.

Henrique Perazzi de Aquino

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