Viena - O Parlamento Europeu deve votar hoje uma resolução exortando os países-membros a “não abusar” da liberdade de expressão e a não usá-la para “incitar o ódio religioso ou divulgar declarações xenófobas e racistas”. A proposta foi feita por todos os sete grupos políticos do Parlamento depois da eclosão de violentos protestos no mundo islâmico por conta da publicação, na Dinamarca, de charges do profeta Maomé e de sua subseqüente reprodução por outros órgãos da imprensa européia e mundial. Ontem, mais três pessoas foram mortas no Paquistão em meio à onda de manifestações.
O texto, que pede o “uso responsável” da liberdade de expressão, também condena a violência dos protestos, cujo saldo em pouco mais de duas semanas é de 18 mortos - no Afeganistão, no Paquistão, no Líbano e na Somália. “A liberdade de expressão é um bem precioso. Mas seu exercício prevê a responsabilidade do indivíduo”, declarou o secretário de Relações Exteriores da Áustria, Hans Winkler. A Áustria hoje detém a Presidência rotativa do bloco.
Winkler afirmou que a liberdade de expressão “tem limites”, sobretudo quando “fere suscetibilidades religiosas”. Mas o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, advertiu contra a censura - o Parlamento estuda criar um código de conduta para a mídia, ao qual os veículos obedeceriam voluntariamente - e se solidarizou com os dinamarqueses, “um dos povos mais abertos e tolerantes da Europa e do mundo”.
Mais três pessoas morreram em protestos que reuniram pelo menos 20 mil ontem no Paquistão, onde outras duas mortes haviam ocorrido na véspera. Duas delas - inclusive a de um menino de oito anos alvejado no rosto pelo tiro de um manifestante - aconteceram em Peshawar.