O público de cinema é acostumado a criaturas, afinal elas assombram muitos filmes com seu aspecto obscuro, presas afiadas, boca salivante e tudo mais. Mas tentar vender um pseudo-Alien, tão violento quanto seu familiar que atacou Sigourney Weaver no espaço quatro vezes, morando nas profundezas de uma caverna recém-descoberta na Romênia... Complicado. Até porque eles - o Alien original e o “protagonista” deste “A Caverna” - só podem ser parentes. De qualquer forma, este é o mote dessa parceria EUA/Alemanha que estréia hoje em Bauru.
No material distribuído à imprensa, a Columbia Pictures tenta dar algum peso ao roteiro, defendendo que a história da descoberta de novos microecossistemas habitados por seres ainda desconhecidos do homem são comuns na ciência atual. Entre as mais famosas descobertas, estão as Cavernas Movila. O espeologista e editor romeno da revista “National Geographic”, Christi Lascu, que foi consultor para “A Caverna”, aponta no material que tais cavernas apresentam grande semelhança à trama do filme.
“Provavelmente existiam centenas de novas criaturas por lá, e 35 delas foram catalogadas por cientistas como novas espécies”, afirma. Entre as criaturas, havia uma centopéia com cerca de 10 centímetros e dona de uma mordida venenosa, e ainda anfíbios com tamanho superior a 20 centímetros, segundo a Columbia.
E o que isso tem a ver com o monstro que assombra um bando de coitados em “A Caverna”? A única certeza é de que um filme assim só começa com um grupo grande de personagens para que haja “material” para as cenas de morte e conseqüentemente recheio para pouco mais de uma hora e meia de película.
Na trama, uma equipe de cientistas se depara com as ruínas de um mosteiro do século 13, na Romênia. Inspecionando, eles descobrem que a construção é a entrada de um gigantesco sistema subterrâneo de cavernas, as quais biológos acreditam ser habitat de um ecossistema ainda não conhecido. Um grupo de exploradores e mergulhadores - muitos, para que a maioria possa morrer - são chamados para explorar as profundezas do local. Presos no subterrâneo - surpresa? - eles terão de achar uma saída sem ajuda de ninguém.
O diretor Bruce Hunt, em sua estréia em longa-metragens depois de uma carreira com comerciais e direção de segunda unidade na trilogia “Matrix”, até tem certo êxito no clima sombrio das cavernas, na claustrofobia e nos sustos, ainda que óbvios, mas o roteiro não ajuda. Torça para que não venha a seqüência.