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Polícia mantém ocupação da Rocinha

Folhapress
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Rio de Janeiro - A polícia mantém a ocupação na favela da Rocinha (zona sul do Rio), após o confronto entre traficantes que resultou em seis mortes, na noite de quarta-feira. Ontem, não há registro de incidentes e a situação é de aparente tranqüilidade. A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança sabia desde a sexta-feira passada de planos de invasão da Rocinha antes do Carnaval, mas nem a Secretaria da Segurança Pública, que comanda as polícias, nem a Polícia Civil, à qual cabe a tarefa de investigação, receberam a informação.

Apenas a Polícia Militar foi avisada, “por telefone, em informe nada circunstanciado, de que quadrilhas rivais tramavam a invasão” à favela, afirmou o comandante da PM, Hudson de Aguiar, de acordo com a assessoria de comunicação da secretaria. Na opinião de Aguiar, a PM atuou corretamente, reforçando o “anel em torno da Rocinha”, cercando as principais vias de acesso.

Segundo o comandante, demonstração disso é o fato de os bandidos só terem entrado na favela pela mata, no alto do morro. Dos seis mortos durante o confronto, cinco eram moradores da favela e não tinham ligação aparente com o tráfico. Entre os mortos está o estudante Diego de Araújo Lima, 14 anos, que ainda vestia o uniforme escolar quando foi atingido por um tiro no peito.

O confronto deixou também oito pessoas feridas. Invasão Segundo a polícia, a invasão malsucedida foi planejada por quatro traficantes do Comando Vermelho (CV) que foram expulsos da Rocinha em 2004, quando as bocas-de-fumo da favela foram tomadas por traficantes rivais, da Amigo dos Amigos (ADA) - que controlam a favela.

A ação ocorreu por volta das 18h de quarta-feira, quando cerca de 40 homens, com blusas pretas, entraram na Rocinha por ruas do alto da favela. As vias são acessadas pela estrada da Gávea e por uma mata que leva ao Leblon. Um intenso tiroteio durou cerca de três horas e assustou moradores e motoristas que passavam pela região. Transformadores da favela foram atingidos e a Rocinha ficou às escuras.

Presos

Catorze pessoas foram detidas sob suspeita de envolvimento no confronto. Cinco delas foram presas após invadir um prédio no Leblon (zona sul do Rio), por volta das 5h30 de anteontem, e manter um porteiro e o síndico reféns. De acordo com a polícia, eles seguiram para o prédio depois de participarem da ação na Rocinha. Outros quatro suspeitos foram detidos durante as incursões da PM na Rocinha. Dois deles teriam tentado subornar os policiais com dinheiro em troca de sua liberação.

Os outros suspeitos foram capturados durante uma operação policial no morro Pavão-Pavãozinho (zona sul do Rio). Foram apreendidos seis fuzis, duas pistolas, um lança-rojão, uma granada caseira, uma Pajero, um Gol e uma camiseta preta - supostamente usada pelos criminosos -, além de munição e celulares.

Na noite do confronto, apenas uma vítima do tiroteio havia sido localizada - o estudante Diego Araújo Lima. Na manhã seguinte, os outros cinco corpos foram encontrados em diferentes pontos da favela. Duas das oito pessoas feridas receberam alta anteontem. Seis continuavam internadas no hospital Miguel Couto (zona sul do Rio). Suas identidades não foram divulgadas.

Deixaram o hospital uma pessoa de 26 anos que foi baleada na perna esquerda e outra, de 32, que foi baleada na perna direita. Entre o que seguem internados estão um adolescente de 13 anos baleado na coxa esquerda; uma pessoa de 29 anos que levou um tiro nas costas; e uma vítima de 28 anos que foi atropelada e estava em observação.

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Força Nacional

Rio de Janeiro - O secretário de Segurança Pública do Rio, Marcelo Itagiba, descartou ontem a possibilidade de ação no Estado da Força Nacional de Segurança - tropa do governo federal que reúne homens de diversas polícias militares do País.

Itagiba elogiou a preparação dos grupos pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), mas acredita que o governo estadual vem cumprindo bem o seu papel. “Acho que no momento, pela avaliação que nós temos, não há necessidade. Nós estamos fazendo o nosso trabalho”, declarou.

Aberto à negociação, o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, disse que a Força Nacional possui regras, sendo preciso avaliar a gravidade da situação no Rio. Ele acredita que outras opções de repressão podem ser priorizadas. “Eu não trabalho com a idéia a priori. Nós vamos estar disponíveis para qualquer apoio”, disse.

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