“Uma mulher de 30 anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. (...) Entre elas, há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de 30 satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer. São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa para nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam”, diz um trecho do livro “A Mulher de Trinta Anos”.
Na obra, escrita no início do século 19, o francês Honoré de Balzac se refere às mulheres de 30 anos como amadurecidas e decididas, embora sem o esplendor da juventude. A história retrata os conflitos de Júlia d’Àiglemont, uma mulher mal casada, que se apaixona por outro e sofre com os tabus sociais.
Qualquer semelhança com a realidade atual não é coincidência. No romance, Júlia se torna o estereótipo de muitas mulheres que não são felizes no casamento, buscam um grande amor, enfrentam o modelo patriarcal e a pressão da sociedade.
“Mas isso era antigamente. Com o aumento da longevidade e das exigências profissionais de um mundo globalizado, o contexto hoje em dia mudou”, analisa a psicóloga clínica e professora acadêmica Regina Furigo.
Além de todos essas questões, os conflitos das mulheres contemporâneas envolvem o trabalho, a estética e a necessidade de ter filhos, por exemplo. Em alguns casos, os problemas podem desencadear a crise dos 30 anos.
Temida por muitas mulheres, essa fase nada mais é do que um momento de reflexão, explica Furigo. “Crises são momentos nos quais é preciso abandonar antigos padrões para fazermos frente a outras exigências”, aponta. “Todo mundo passa por momentos de transição. Da infância para a adolescência, da juventude para a vida adulta e assim sucessivamente”, analisa.
Segundo a psicóloga, enfrentar crises ajuda a fazer um balanço dos planos e objetivos que a pessoa gostaria de ter alcançado, o que realmente atingiu e os projetos futuros.
Foi o que aconteceu com a advogada Ruth Romano Previdello, 35 anos. “Quando completei 30 anos, um ex-namorado disse que a partir daquele dia eu era uma balzaquiana. Procurei saber melhor o que era e tive uma surpresa agradabilíssima ao saber que as balzaquianas são mulheres satisfeitas consigo mesmas, têm certa dose de paciência e sabem driblar a Tensão Pré-Menstrual (TPM)”, conta.
Feliz com sua idade, Previdello afirma que não trocaria seus 35 pelos 20 anos. “Começei a me cuidar mais, convivo melhor com as pessoas e nos relacionamentos. Para mim, isso significa amadurecimento”, diz.
Ao contrário de Previdello, outras pessoas têm mais dificuldade em “entrar em uma nova fase”, aponta Furigo. Segundo ela, para não entrar em desespero e evitar cometer erros, é necessário avaliar o período com calma e cautela (veja abaixo outras dicas para enfrentar períodos de crise).
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Dicas
• Não sofra por antecipação. Saiba que 30 é apenas um número redondo. Qualquer idade serve para reavaliar seus desejos e conquistas.
• Tenha flexibilidade. Se ainda não encontrou um namorado, aproveite para cuidar de si, viajar e se divertir com os amigos.
• Cuidado com o excesso de planejamento. Não planeje seu casamento, carreira e até mesmo as lembrancinhas da maternidade antecipadamente.
• Casar nem sempre é a única solução. Não estar casada aos 30 anos não quer dizer que você “encalhou” ou que não esteja vivendo um bom relacionamento
• Não dá para ter tudo. Se quer apostar em sua carreira, poderá sobrar menos tempo para se dedicar a alguém. Mais adiante é possível compensar as coisas.
• Não se deixe contaminar pelos comentários. Algumas pessoas podem criticar a sua vida, mas se estiver satisfeita com ela, isso não vai estragar seu dia.
• Aprenda a ver o lado bom das coisas. No meio do desespero, deixamos de levar em consideração milhares de coisas boas que conquistamos ou estamos vivendo.
• Não se cobre. Você já tem muitas coisas para se preocupar e expectativas para atender.
• Evite separar a sua vida em setores: financeiro, familiar, amoroso, etc.
• Não seja “maria-vai-com-as-outras”. Não queira casar porque todas as suas amigas casaram, mas sim porque está apaixonada
• Quando sentir a crise chegar, faça rápido uma relação de todas as suas vitórias. Não adianta pensar só nos últimos dias para detectar erros e acertos de sua vida
• A crise dos 30 anos é apenas a primeira da fase adulta. Depois vem a dos 40, 50... É melhor começar o quanto antes a manter o bom-humor e cultivar amizades fiéis