Política

Em silêncio, Faifer deixa a Saúde

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Executivo confirmou ontem que Tereza Maria Speranza Faifer está deixando a Secretaria Municipal de Saúde, conforme antecipado pela coluna Entrelinhas do JC na semana passada. A administração municipal ainda não tem o nome do substituto definitivo, mas anunciou que interinamente a secretaria será dirigida por Mário Ramos, atual diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC).

O governo tentou esconder a saída de Faifer desde o início do mês, negando que ela estivesse disposta a deixar o cargo. Mas, desde então, a informação acabou vazando em razão dos contatos com possíveis candidatos à substituição no cargo, como o atual diretor da Divisão Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, que teria descartado a possibilidade de trocar o Estado pela prefeitura.

Faifer estava tentando entregar sua carta de exoneração ao prefeito há vários dias, sem sucesso. Ontem, ela deixou o Palácio das Cerejeiras no início da noite, ao lado de Gasparini Júnior, presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), e, mesmo com a decisão tomada, negou. Mas o pedido de exoneração já tinha sido confirmado através de nota oficial da assessoria de imprensa da prefeitura, e em caráter irrevogável, conforme a nota.

A administração informa que a pasta será ocupada interinamente pelo diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Mário Ramos, que também deixou o Palácio das Cerejeiras por volta das 20h negando o mesmo fato. Ao saber que a reportagem já estava com a nota da imprensa oficial, Ramos passou a falar sobre seus planos imediatos.

No início, o secretário interino parecia mais filósofo: “Vamos diminuir as tristezas e aumentar as alegrias na pasta”. Depois, aos poucos, elogiou o plano de trabalho elaborado por Faifer à frente da Saúde e disse que sua missão era iniciar sua implementação neste ano, como a inversão do sistema de atendimento, priorizando a atenção básica nas unidades da periferia em detrimento à concentração de esforços na área de urgência. Mário Ramos disse que não sabe se vai continuar na secretaria, mas que veio para ajudar.

Motivação

A nota da assessoria do governo não explica os motivos que levaram Faifer a deixar o cargo pouco mais de 13 meses depois de tomar posse. Na sessão da Câmara Municipal da última segunda-feira, o vereador de oposição Marcelo Borges (PSDB) lembrou que o setor de saúde foi, em sua avaliação, o principal propulsor de votos para Tuga Angerami na eleição de 2002. “O prefeito teve muitos votos puxados por promessas de recuperar o sistema de saúde, mas a situação é muito pior hoje do que quando ele assumiu”, apontou.

Em nota, o prefeito ressalta o empenho de Faifer e diz que compreende o pedido de exoneração diante da “complexidade que a pasta representa”. Nos bastidores, as informações são de que, além dos problemas estruturais em aberto no setor de saúde municipal, a saída da secretária também teria relação com problema gerencial. Um dos conflitos estaria na relação de gestão com o diretor de Urgência e Emergência do Pronto-Socorro, Aigiro Kamada, aliado político de Tuga desde os tempos de PSDB.

Tereza Faifer assumiu com o desafio de iniciar o processo de inversão da lógica da prestação de serviços públicos na saúde. No início do ano passado, a pasta ganhou adicional de receita de R$ 1 milhão para aplicação na reforma de postos de saúde, através de contrapartida obtida de parceria com o Banco do Brasil (BB). Apesar dos recursos, o governo não conseguiu aplicar a verba extra-orçamentária ao longo do último exercício. A promessa ficou para este ano, com o próprio prefeito assumindo que as reformas seriam realizadas ainda neste primeiro semestre.

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