O empresário Edivaldo Tuschi, proprietário de oito postos de combustíveis em Bauru, não conseguiu ontem à tarde receber a encomenda de 15 mil litros de álcool que havia feito a uma das distribuidoras com as quais trabalha. Na avaliação dele, se o produto não for entregue hoje, dois dos seus postos podem ficar sem álcool hidratado para vender aos consumidores a partir de segunda-feira.
Em algumas cidades do Estado de São Paulo já começa a faltar álcool. Ontem, alguns postos de Sorocaba ficaram sem o produto no estoque e houve atraso na entrega de álcool e gasolina em outros estabelecimentos.
De acordo com o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), a oferta reduzida de álcool - em função da entressafra da cana-de-açúcar que prossegue até abril - em algumas unidades da região Oeste do Estado gerou congestionamentos de caminhões e atrapalhou o fornecimento para alguns postos.
A Petrobras Distribuidora informou ontem que “encontrou dificuldades para a retirada do produto nas unidades produtoras pela concentração de oferta em poucas usinas”. O Sindicom descarta o perigo de desabastecimento de álcool durante o Carnaval, dizendo que os problemas têm sido pontuais.
“Mais uma vez, a situação está muito confusa e incerta. Não há como fazer muitas projeções e avaliações. Mas estou preocupado porque as usinas estão fazendo operação tartaruga (atrasando os trabalhos e o abastecimento das distribuidoras de combustíveis). O motivo delas estarem fazendo isso eu não sei, mas é evidente que há uma guerra de mercado. Do jeito que as coisas estão, não sei onde vai parar o preço do álcool e da gasolina também”, diz Edivaldo Tuschi.
Segundo ele, algumas distribuidoras já estão cobrando R$ 1,60 pelo preço de custo do álcool. Até ontem, o litro do álcool nos postos de Bauru era comercializado com variações de R$ 1,59 a R$ 1,80. Mas já são previstas novas altas para a próxima semana. A partir de quarta-feira, a adição de álcool anidro na composição da gasolina será reduzida de 25% para 20%.
Conforme matéria publicada no Jornal da Cidade nesta semana, especialistas consultados pela reportagem estimam que essa alteração - determinada pelo governo federal para tentar barrar os aumentos do álcool - deve resultar no reajuste de R$ 0,08 por litro no preço de custo da gasolina. Até ontem, a maioria dos postos de Bauru vendia o combustível com valores entre R$ 2,29 e R$ 2,55.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, acredita que não faltará álcool para abastecer os postos. Contudo, ele confirma a dificuldade de adquirir o produto junto a algumas companhias distribuidoras. Segundo ele, alguns donos de postos estão recebendo uma quantidade menor de álcool do que o volume solicitado na distribuidora.
“Os caminhões estão tendo dificuldades para abastecer nas usinas. A nossa situação está bastante complicada e o preço do álcool tem subido todos os dias, sem parar”, reclama o empresário.