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Filipinas vive estado de emergência

Folhapress
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Manila - A presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, declarou estado de emergência no país, ontem, depois que o Exército informou ter frustrado uma tentativa de golpe de Estado com a prisão de vários altos oficiais das Forças Armadas. Em um rápido discurso transmitido em cadeia nacional de TV, a presidente afirmou que a tentativa de golpe tinha sido abortada. “Pelo poder concedido pela Constituição das Filipinas e em meu cargo de comandante-em-chefe do Estado, ordeno às Forças Armadas que mantenham a ordem pública, previnam e suprimam todas as formas de violência e demais atos de rebelião”, disse a presidente.

A decretação do estado de emergência ocorreu após a prisão do general-de-brigada Danilo Lim, chefe da unidade de elite do Exército Scout Rangers, e do coronel Ariel Quevedo. O comandante das Forças Especiais da Polícia Nacional, Narzalino Franco, também foi preso, revelou um comunicado do Exército filipino.

O general Lim já tinha estado envolvido em uma tentativa de golpe de Estado em 1989 contra a presidente da época, Corazón Aquino. O militar foi perdoado e promovido para se converter em uma das autoridades militares mais respeitadas no país. A presidente Arroyo anunciou também a detenção de civis.

Em seu pronunciamento, a presidente não ofereceu detalhes sobre o suposto plano golpista na véspera do vigésimo aniversário da queda do ditador Ferdinand Marcos, embora tenha mencionado a existência de um complô entre membros das diferentes forças de oposição. “Nos últimos meses, setores da oposição conspiraram com elementos autoritários da extrema esquerda e da extrema direita (...) para derrubar o governo legalmente eleito em maio de 2004”, acrescentou a governante.

O ministro da Justiça, Raúl González, também não foi explícito. Ele disse aos jornalistas que as provas sobre a trama “serão apresentadas na hora certa”. O estado de emergência é uma medida de abrangência menor do que a lei marcial, que permite o Exército acabar com qualquer revolta, mas sem que o sistema judicial pare de funcionar.

Além do decreto, o governo cancelou as comemorações oficiais do fim da ditadura e proibiu as manifestações preparadas pela oposição, que exigia a renúncia da presidente. Ainda assim, cerca de 10 mil simpatizantes da oposição se concentraram em diferentes estações do metrô de Manila. Alguns desses grupos foram dispersados com canhões de água pela polícia, que prendeu cerca de 25 pessoas.

O ministro Raúl González alertou que quem organizar atos sob o estado de emergência será acusado de incitação à revolta. A expectativa passa a ser pelo que ocorrerá hoje, aniversário da fuga de Marcos das Filipinas com destino ao Havaí, após o triunfo de uma revolta popular apoiada pela Igreja Católica e parte do Exército. A oposição, tanto de esquerda como de direita, pretendia fazer da data um gigantesco protesto contra a presidente, a quem acusa de haver orquestrado uma fraude eleitoral.

O estado de emergência é mais um capítulo de uma crise não resolvida, iniciada quando a oposição divulgou gravações em que supostamente se ouvia a presidente dar instruções a um alto funcionário eleitoral para organizar a fraude. Desde então, não cessaram as mobilizações para derrubar Gloria Arroyo.

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