Economia & Negócios

Hora extra é essencial na complementação da renda, diz estudo

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos brasileiros - aí incluem-se os bauruenses - estão excedendo a carga horária semanal de trabalho, que é de 44 horas, como determina a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O objetivo, segundo constatou levantamento realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), é “engordar” o salário no fim do mês. A pesquisa revela que 77% dos 3 mil entrevistados fazem hora extra no serviço. Sessenta por cento deles fazem para complementar a renda.

Em Bauru, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Vieira Lima, admite que, entre a maior parte das 400 empresas associadas à entidade, os funcionários optam, espontaneamente, por fazer hora extra. Ele diz que, embora o sindicato não seja favorável à prática, entende que o salário é baixo e, por isso, os trabalhadores precisam recorrer a esse recurso.

“Cerca de 50% do salário da maioria corresponde à hora extra. O piso nas empresas com até 50 funcionários é de R$ 553,68, mas a média chega a R$ 600,00”, conta Lima.

A secretária de política sindical da CUT, Rosane Silva, informa que foram entrevistadas para a pesquisa pessoas dos ramos de transporte, químico, vestuário, metalúrgico e de comércio e serviços. Segundo ela, são os segmentos onde as horas extras são mais comuns.

Silva destaca que entre 45,3% dos trabalhadores abordados, a hora extra é fundamental na renda. Isso quer dizer que, sem ela, o assalariado não teria condições de arcar com todas as suas despesas. “A renda dos trabalhadores caiu muito no País. A pesquisa só vem reafirmar aquilo que nós já tínhamos conhecimento e certeza, que é o rendimento baixo dos trabalhadores e a necessidade de completar a renda com hora extra”, comenta.

De acordo com a secretária, 76% dos entrevistados disseram nunca terem sido coagidos pela chefia para fazer hora extra. Ela entende que a prática está “naturalizada” entre o trabalhador brasileiro, o que explica a conformidade dele em optar por ficar mais tempo no serviço.

Comércio

Em Bauru, o segmento comercial não remunera o trabalhador que acumula horas extras. A informação é do Sindicato dos Comerciários na cidade. Conforme o assessor de comunicação Édson Quintiliano Júnior, principalmente nas redes supermercadistas, o excedente é pago em dias de folga.

“Essas horas não são necessariamente remuneradas. São compensadas no futuro. O trabalhador não recebe essas horas com o adicional da convenção coletiva, que é de 60%. Os empresários preferem o banco de horas porque não tem custo”, comenta.

O diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Evandro Motta, reitera as palavras de Quintiliano Júnior. Segundo ele, a maioria das empresas comerciais trabalha com sistema de banco de horas, compensando o excedente em folga.

Rosane Silva, da CUT, diz que são poucos os sistemas de bancos de horas adotados pelas empresas que são formalizados, conforme exige a lei.

“A maior parte é informal. Quase nenhum segue o processo de negociação coletiva com o sindicato e a comissão de trabalhadores no interior das empresas. O funcionário pode até pegar folga, mas não deve ser uma troca no sentido de um dia pelo outro. Tem de haver um adicional nessa folga”, explica.

Mais trabalho

Para Bruno Bartalotti Furlanetto, hora extra é essencial. Ele conta que trabalha muito mais que as 44 horas semanais recomendadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a fim de conseguir equilibrar as contas no final do mês.

“Trabalho muito mais que eu deveria, porém é necessário, porque só dessa forma consigo cumprir meus compromissos financeiros em dia”, diz.

Furlanetto é funcionário de uma loja de roupas masculinas em Bauru e revela que o excedente de horas trabalhadas rende cerca de R$ 250,00 sobre seu salário, que é de R$ 600,00.

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