O pé diabético é uma das principais complicações do diabetes mellitus e se caracteriza pela presença de lesões nos pés, principalmente úlceras. Quando não há tratamento, pode ocorrer amputação. Por isso, programas educacionais abrangentes são fundamentais. Estes incluem exame regular dos pés, classificação de risco e educação terapêutica - e podem reduzir a ocorrência de lesões em até 50% dos pacientes com diabetes.
Isso é o que mostram pesquisadores da Fundação Hospital Estadual do Acre em um estudo que buscou analisar o conhecimento dos portadores de diabetes sobre as atitudes de controle da doença e medidas preventivas do pé diabético, antes e após a aplicação de um programa de educação terapêutica.
De acordo com artigo publicado na edição de agosto de 2005 da revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, “metade das amputações em pacientes portadores de diabetes mellitus pode ser prevenida com a detecção precoce e o tratamento oportuno das manifestações clínicas, a exemplo do controle metabólico, a educação dos pacientes e o bom cuidado com os pés”.
No estudo, foram avaliados 109 pacientes do Ambulatório do Pé Diabético do Hospital Estadual do Acre, entre agosto de 2002 a fevereiro de 2003.
Os pesquisadores observaram que 52,3% dos pacientes referiram ser portadores de hipertensão arterial sistêmica e a maioria relatou antecedentes familiares de diabetes. A distribuição do índice de massa corporal foi de 41,3% com peso normal, 35,8% com sobrepeso, 22,9% com obesidade.
A maioria fazia uso de medicamentos para controle da doença. Antes da aplicação do programa, a freqüência de conhecimento “superior à mediana“ sobre as atitudes de controle da doença de 45,0%. Após o programa passou para 67,9%.
O mesmo ocorreu em relação ao conhecimento sobre cuidados preventivos do pé diabético, que passou de 61,5% para 96,3%. “Após a intervenção educativa houve mudança de atitude quanto aos costumes de andar sem calçados, de fazer escalda pé, do uso de meias com calçados fechados, assim como no número de consultas médicas, na conscientização da importância da dieta e na prática de exercícios físicos”, ressaltam no artigo.
Dessa forma, a equipe alerta para a importância da realização de intervenções: “apesar da recomendação de programas educacionais mais abrangentes e intensivos, a aplicação de modelos simplificados com uso de folder ilustrativo, seguida de explicações breves, também produz resultados positivos. No estudo, mesmo considerando que após a intervenção educativa 32,1% dos pacientes mantiveram atitudes de controle do diabetes inferiores à mediana, os benefícios obtidos com a intervenção foram evidentes”.