Adorada por muitos, odiada por outros tantos, a Internet ganha espaço a cada dia. Seja através de lan houses, de locais que garantem acesso gratuito, de associações de bairros, a partir da venda de computadores populares, a rede mundial de computadores recebe milhares de acessos por minuto em todo o mundo. Há quem garanta que não consegue viver sem ela, outros não têm nem e-mail para tentar provar justamente o contrário, e há ainda os que mal sabem o que é a Internet. Para compreender esse universo e descobrir como as pessoas têm acesso à rede de computadores, o JC percorreu os bairros de Bauru.
Há alguns anos, apenas famílias de classe média e alta tinham computadores e a oportunidade de utilizar a Internet. Hoje, no entanto, Bauru tem alguns locais que oferecem acesso gratuito, como o Serviço Social do Comércio (Sesc), a Oficina Cultural Regional “Glauco Pinto de Moraes”, os Correios e algumas associações de moradores.
A maior parte do público que utiliza a Internet ainda é composta por jovens, mas nos últimos anos ela passou a ser bastante procurada por adultos e até por pessoas da terceira idade.
Os temas procurados pelos usuários na rede mundial de computadores são os mais diversos: resultados de concursos públicos e vestibulares, notícias jornalísticas, jogos. Mas os serviços mais procurados são, com toda a certeza, os bate-papos online, como o MSN (bate-papo online) e o Orkut (rede de relacionamentos).
“Jogo alguns games, mas os programas que eu mais uso são o Orkut e o MSN. Quase nem uso o telefone para conversar com os meus amigos. Falamos bastante pelo computador”, revela o estudante Lucas Januario Yamashita, 14 anos.
De acordo com a proprietária de uma lan house, Marília Gabrielle, MSN e Orkut são os campeões de acessos na Internet. “Muitos clientes vêem exclusivamente para utilizar estes serviços. O interesse do público de lan houses está mudando a cada dia”, explica. Gabrielle, que foi freqüentadora assídua de lan houses num passado recente, comenta que há alguns anos as lans eram redutos de jogadores, mas hoje quase metade do público busca acesso à Internet.
Apesar do valor/hora nas lans ser relativamente barato - R$ 2,00 em média -, grande parte da população não dispõe destes recursos para gastar com lazer nem de transporte para se locomover até os locais que oferecem acesso gratuito. Por isso, muitas associações de bairros e entidades começaram a oferecer estes serviços aos seus moradores, como a Casa do Garoto, o Núcleo da Amizade, o Projeto Girassol, a Creche Nova Esperança, a Casa da Fraternidade Santa Rita de Cássia, a Associação Amorós, o Rasc, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Conselho Metropolitano São Vicente de Paulo, o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) e a associação do Ferradura Mirim.
Em geral, estes projetos receberam doações e apoio técnico de instituições como o Banco do Brasil e Serviço Social da Indústria (Sesi). Apesar de atualmente haver um grande contigente de pessoas com acesso à Internet, muitas associações de moradores ainda não conseguiram implantar seu projetos por falta de apoio e patrocínio.
Diante deste panorama, é possível afirmar que a Internet se popularizou nos últimos anos, mas ainda falta muito para que todos tenham acesso à rede mundial de computadores.