A política de imunização em massa pode ser considerada, sem falsa modéstia, motivo de orgulho para os brasileiros. O Sistema Único de Saúde (SUS) assegura ao cidadão, gratuitamente, uma gama de vacinas essenciais, que, normalmente, não são oferecidas pelos mais caros planos privados de saúde. Os resultados desse esforço são visíveis e inquestionáveis. Não temos casos de paralisia infantil no Brasil há 17 anos. O número de casos de difteria despencou nos últimos anos, registrando, em 2005, a menor incidência da história, com apenas três casos notificados.
Essas conquistas merecem, sim, comemoração, pois estamos falando de doenças graves, que podem deixar seqüelas e até levar à morte. O controle dessas enfermidades é fruto direto do trabalho de vigilância epidemiológica, das campanhas de vacinação promovidas nos últimos anos e da oferta desses imunizantes nos postos de saúde. Hoje, a rede pública dispõe de vacinas contra tuberculose, febre amarela, hepatite B, poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, tétano, coqueluxe, difteria, raiva humana e gripe, dentre outras, cada qual com seu público alvo e faixa etária específicos. O Estado de São Paulo possui, ainda, um diferencial em relação ao resto do País, pois garante o envio de vacinas contra a catapora aos municípios que notificarem surtos da doença em creches, para imunização de bloqueio em crianças menores de 5 anos.
A partir de hoje, o calendário de imunização nacional também passa a contar com a vacina contra o rotavírus, doença que provoca diarréia e vômitos principalmente crianças entre 6 meses e 2 anos de idade, durante todo o ano Estima-se que, anualmente, 125 milhões de crianças sejam infectadas pelo rotavírus em todo o mundo, e que cerca de 600 mil morram. A nova vacina é, portanto, mais um avanço para a saúde pública brasileira. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde acaba de enviar um lote inicial de 109.200 doses contra o rotavírus para os 645 municípios paulistas, quantidade suficiente para garantir a vacinação durantes os meses de março e abril. Já em março haverá nova distribuição. As doses ficarão disponíveis rotineiramente nos postos de saúde.
Para ficar imune ao rotavírus, as crianças precisam tomar duas doses da vacina. A primeira deve ser aplicada em crianças com 2 meses de idade (no máximo com 3 meses e 7 dias); a segunda dose em crianças com 4 meses de idade (no máximo com 5 meses e 15 dias). É necessário respeitar espaço de pelo menos um mês entre cada dose. Importante ressaltar, ainda, que a vacina licenciada pelo Ministério da Saúde só é eficaz e segura para crianças vacinadas nas idades indicadas.
A vacina que será oferecida à população a partir de hoje foi importada da Bélgica e protege a criança contra o rotavírus mais freqüente na faixa etária citada acima. Mas o Instituto Butantan de São Paulo, órgão da Secretaria, planeja ainda este ano iniciar a produção de vacina contra o rotavírus e fornecer as doses para todo o País, caso receba do Ministério da Saúde aprovação para comercializar o produto. A produção da vacina nacional só será possível graças a um convênio de transferência de tecnologia firmado entre o Butantan e o National Institutte of Health (NIH), dos Estados Unidos.
Estima-se a produção de 10 milhões de doses da nova vacina por ano no Butantan, o suficiente para cobrir toda demanda nacional. O custo da vacina produzida no Brasil deve ser cinco vezes menor do que as vacinas disponíveis no mercado. Mães e pais de todo o Estado têm, portanto, mais um benefício a partir do próximo dia 6: imunizar seus filhos contra o rotavírus, garantindo uma infância mais saudável às crianças brasileiras e paulistas.
A autora, Helena Sato, é médica pediatra e coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde