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Deputados absolvem Roberto Brant

Por Fábio Zanini, Luciana Constantino, Cynthia Garda e Adriano Ceolin | Folhapres
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São Paulo - O deputado Roberto Brant (PFL-MG) tornou-se ontem o terceiro político absolvido pela Câmara no escândalo do “mensalão”, o segundo contrariando decisão do Conselho de Ética. Brant, com apoio em praticamente todos os partidos, venceu com folga e chegou a ser aplaudido de pé durante quase um minuto pelo plenário, após discursar. No final, foram somente 156 votos pela sua cassação, 101 a menos do que os 257 necessários.

Contra a cassação manifestaram-se 283 deputados, enquanto 18 se abstiveram e 1 votou em branco. A votação do processo contra o deputado Professor Luzinho (PT-SP) não havia sido encerrada até o fechamento desta edição.

O processo contra o petista, ex-líder do governo na Câmara, era considerado imprevisível, no entanto. O arquivamento do processo contra o pefelista repete o ocorrido com o líder do PL na Câmara, Sandro Mabel (GO), e o petebista Romeu Queiroz (MG), no ano passado. Até agora, apenas os dois principais protagonistas do escândalo, Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP), perderam seus mandatos. Outros quatro implicados -Valdemar Costa Neto (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR) - renunciaram para escapar.

Ao contrário da absolvição de Queiroz, em dezembro, recebida como uma surpresa, a de Brant era esperada. Desde o início o deputado confessou ter recebido R$ 102 mil de caixa dois para sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004. O pefelista avaliou que seu caso era um delito menor. “Não se pode confundir decoro parlamentar com infração eleitoral. Não podemos ter o Congresso ameaçado a todo o momento. Não podemos fazer o papel de Justiça Eleitoral”, afirmou.

O argumento teve ampla ressonância entre partidos governistas e da oposição. “Caixa dois é crime eleitoral, punível com multa pela Justiça, não com perda de mandato”, disse o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA). O processo de Brant foi visto como “especial”, por não seguir o padrão do “valerioduto”: não houve saque direto na conta do publicitário Marcos Valério de Souza na agência do Banco Rural de Brasília. No caso de Brant, a SMP&B, agência de Valério, teria sido intermediária de uma contribuição financeira da Usiminas.

“O processo de Brant, assim como o de Luizinho, é emblemático por não haver envolvimento direto com o esquema de Marcos Valério. Por isso não merece a cassação”, afirmou o petista Marco Maia (RS). Apesar da oposição cerrada que o PFL faz ao governo na CPI, os petistas resolveram engolir seco e segurar o ímpeto de vingança.

Integrantes da bancada calculavam que ao menos 50 dos 83 petistas votariam favoravelmente a Brant - esperando apoio recíproco para Luizinho. “Teremos uns 25 votos do lado de lá [do PFL]”, afirmou Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos escalados pela bancada para fazer pontes com a oposição. Bem relacionado no governo e na oposição, Brant venceu também no “quesito simpatia”, segundo definiu o primeiro-vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL).

Ex-ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, Brant sempre foi tratado durante o processo por seus colegas como um parlamentar exemplar que teria cometido um pequeno deslize. Sua disposição de assumir o erro desde o início e de não protelar o processo com manobras foi fartamente elogiada. Em discurso de 37 minutos, Brant, que dispensou advogado durante o processo, disse estar “sereno e orgulhoso”.

Em tom desafiador, pediu aos colegas “coragem” para desafiar a opinião pública e afirmou mais de uma vez que não se arrependia de nada do que fez. Apesar disso, declarou que deixará a política. “Apesar de o final ser de decepção, não me arrependo”, disse.

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