Uma loja de comércio de peças de veículos e um depósito de peças de Bauru fechados, dois veículos apreendidos, centenas de peças - incluindo motores - recolhidas e uma pessoa presa. Este foi o balanço da megafiscalização realizada ontem pela Polícia Civil em Bauru e em cinco cidades da região, com apoio da Polícia Militar, para coibir furtos e roubos de veículos.
Durante todo o dia, policiais e fiscais da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) percorreram estabelecimentos de desmonte de veículos e venda de peças usadas. Há menos de dois meses, a Polícia Civil já havia realizado operação semelhante em Bauru para inibir a venda de peças de veículos furtados e roubados e deter receptadores. “E, agora, teremos mais investigações como desdobramento desta operação”, explicou o delegado seccional de Bauru, Doniseti José Pinezi.
Ao todo, foram fiscalizados 23 estabelecimentos do setor de peças de veículos - 12 em Bauru, três em Pederneiras, dois em Piratininga, dois em Pirajuí, dois em Agudos e dois em Lençóis Paulista. Em um dos locais visitados pelas equipes, um sucatão na quadra 7 da rua Bernardino de Campos, que funcionava clandestinamente há mais de seis anos, foram apreendidos uma Parati e um Opala e dois carimbos.
O filho do proprietário, Cristian Alves da Silva, explicou que o estabelecimento pertence ao seu pai, Salvador Pedro da Silva, que era sócio com um tio. “Meu tio morreu e por questões financeiras, não conseguimos legalizar a situação”, alegou.
Ele argumentou ainda que o estabelecimento funciona mais como oficina do que como desmanche e se comprometeu a apresentar, no 1.º Distrito Policial, a documentação dos demais veículos que estavam no local.
No relatório da operação de fiscalização, a Polícia Civil informa que os veículos serão recolhidos caso Silva não apresente os devidos documentos. Em outro desmanche, na quadra 3 da rua Henrique Mingardi, no Jardim Pagani, foram apreendidos um conjunto de motor e câmbio, agregados mecânicos de um carro Fox furtado.
Preso
O dono do estabelecimento, João Henrique Faidiga, foi preso em flagrante por receptação, crime cuja pena é de três a oito anos de detenção em caso de condenação. Também foram apreendidas no local duas portas traseiras, um porta-malas e um pára-choque dianteiro, peças que Faidiga confirmou ser de origem ilícita. Em um barracão de Faidiga localizado na quadra 10 da rua Marcondes Salgado foram apreendidas centenas de peças de veículos nacionais e importados, cuja origem não foi comprovada. Diante da situação, o depósito foi lacrado para averigüação.
Em outro estabelecimento do setor, na quadra 10 da rua Floresta, os policiais apreenderam dois câmbios-um deles estava raspado. O advogado da empresa, Márcio Gomes Lazarin, aprovou a fiscalização da polícia. Para ele, o trabalho é um salvo conduto para as empresas que funcionam na legalidade.
Ele garantiu que seu cliente comercializa peças usadas adquiridas com notas fiscais. “Temos notas de entrada e saída. Acho que a fiscalização vai favorecer quem trabalha corretamente, porque sofremos com o comércio ilegal”, disse.
Numa loja de peças localizada na quadra 4 da rua Luziano Mardelino, no Jardim Tangarás, foram apreendidos um motor e diversas peças de um Omega furtado. O proprietário não foi preso porque apresentou nota que comprovou ter comprado o veículo em um leilão. Agora, a polícia vai fazer diligências para apurar o caso.
No mesmo local foram apreendidos, ainda, uma Parati com suspeita de adulteração de chassi, um aparelho de som, dois amplificadores e uma caixa de som de origem duvidosa. Uma loja de comércio de peças localizada na quadra 57 da avenida Rodrigues Alves foi fechada pelos fiscais da Seplan porque funcionava sem alvará.