Teerã - O Irã rejeitou ontem a decisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de enviar sua questão nuclear ao Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), qualificando a medida de “injusta”, e afirmou que o país não será “intimidado” a abandonar suas pesquisas nucleares. “O povo iraniano não aceitará intimidação nem decisões injustas de organizações internacionais”, afirmou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à TV iraniana durante visita à Província de Lorestan. “Inimigos não podem forçar o povo iraniano a abrir mão de seus direitos. A era da intimidação e da brutalidade acabou”, acrescentou Ahmadinejad.
Anteontem, representantes dos 35 países do Conselho de Governadores da AIEA concluíram uma reunião de três dias sobre a questão iraniana em Viena, abrindo caminho para uma intervenção do CS. O dossiê a respeito do Irã, elaborado pelo diretor-geral da AIEA, Mohammed El Baradei, foi examinado pelo Conselho de Governadores e automaticamente encaminhado ao Conselho de Segurança da ONU.
Segundo os EUA, o CS se reunirá na próxima semana em Nova York para tratar da questão. Na reunião desta quarta-feira, o representante americano, Gregory Schulte, defendeu a intervenção do CS na questão e afirmou que o Irã possui urânio enriquecido suficiente para a produção de dez bombas nucleares.
Os EUA alertaram para “conseqüências graves” que serão sofridas pelo Irã caso o país não recue na polêmica a respeito de seu programa nuclear. Os EUA e seus aliados europeus querem que o Irã suspenda as atividades de enriquecimento de urânio, tecnologia que pode ser usada para gerar eletricidade e para construir armas nucleares.