Os conflitos envolvendo a posse de terra no Horto Florestal Aymorés, na divisa entre Bauru e Pederneiras, estão longe de acabar. Ontem pela manhã, os sem-terra e o empresário Roberto Pagani se esbarraram novamente por conta da terra e a polícia precisou ser chamada para alcamar os ânimos.
Tudo começou quando alguns integrantes do Grupo Terra Nossa que estavam trabalhando na plantação de mandioca, dentro da área do assentamento, ouviram o barulho de máquina trabalhando. Era uma retroescavadeira que estava removendo terra de forma que bloqueava a passagem utilizada para entrar e sair do assentamento.
Pagani, que havia contratado o serviço da máquina, no entanto, disse que estava realizando melhorias no terreno e iria cercá-lo com arame farpado. Os sem-terra não concordaram e impediram a obra, parando a máquina. “Temos o direito de ir e vir. Utilizamos a entrada para passagem de ônibus escolar e automóveis. Recebemos isso como uma afronta porque saímos pacificamente da outra área que estávamos”, diz o presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Agricultura Familiar do Grupo Terra Nossa, Klinger Bueno.
Na segunda-feira, os sem-terra deixaram uma das áreas ocupadas no mês passado, cumprindo liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça. Pagani, que se diz proprietário de área de mais de 3 mil alqueires do horto, afirma que tem o direito de realizar a obra. “Eles (sem-terra) só querem briga. Tenho direito de fazer melhorias na terra”, afirma.
A Polícia Militar (PM) acompanhou a discussão e depois de muita conversa com os envolvidos, chegou a um consenso. “Ficou decidido reabrir a entrada para o assentamento para que os sem-terra possam sair e entrar”, diz o comandante da Base Leste da PM, tenente Milton César Maciel.
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Posse
Em agosto do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) obteve da União toda a área do Horto Florestal Aymores, 5.262,12 hectares, que pertencia à Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Com a liquidação da empresa, a área foi incorporada ao Serviço de Patrimônio da União e liberada para fins de desapropriação para reforma agrária.
As 108 famílias que estão no horto desde 2003 aguardam contratos do termo de uso da terra que ocupam. Mas essas mesmas famílias já tiveram de sair, por dez vezes, das áreas ocupadas, devido a liminares de reintegração de posse concedidas a favor de Roberto Pagani.