Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que continuará viajando pelo País para inaugurar e entregar obras. A declaração de Lula foi uma resposta às críticas da oposição, que tem chamado as viagens do presidente de eleitoreiras.
“Eu sei que tem muita gente que se queixa e que não gostaria que eu estivesse andando pelo Brasil afora. Mas eu vou contar para vocês: eu fui eleito para governar este país. Nós vamos continuar a fazer aquilo que precisa ser feito”, disse ele na cerimônia de entrega das chaves de um conjunto residencial em Recife (PE).
O presidente mais uma vez comparou a duração de seu governo com as gestões anteriores. “O Brasil existe há 500 anos, nós só temos três anos e dois meses de governo. Nós ainda temos tempo para fazer muito mais coisa e vamos fazer.”
Lula aproveitou o evento para relembrar o pacote da habitação anunciado no começo de fevereiro pelo governo federal, que zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 13 itens de uma cesta básica da construção civil e reduziu para 5% o IPI de outros 28 produtos. “Nós fizemos isso para incentivar as pessoas que às vezes têm uma casinha apertada e quer construir um quartinho, uma garagem, colocar um telhado a mais, fazer um banheiro novo, colocar um quarto para o seu filho que já está atingindo a idade de adulto e precisa ter mais tranqüilidade e mais conforto”, disse Lula.
O presidente citou o caso de uma moradora local, que recebeu sua visita logo depois dele assumir a Presidência da República. “Eu visitei a casa desta mulher no dia 10 de janeiro de 2003.
Não era casa, era um trapiche em cima de estaca, tinha uma cama, um fogãozinho e um buraco onde fazia as necessidades fisiológicas que caia na praia. Eu voltei para casa dizendo: um dia eu vou visitar essa mulher numa casa de chão firme. E hoje eu estou aqui. Essas pessoas que estão aqui merecem muito mais do que nós fizemos até agora.”
O presidente também elogiou a viagem que fez para a Inglaterra. “Foi extraordinário ir à Inglaterra, estar com a rainha (Elisabeth II), que tratou a mim e a Marisa com uma fineza extraordinária. Foi muito importante o trato que recebi dos empresários ingleses, do primeiro-ministro Tony Blair. Tudo foi maravilhoso. Acho que nunca fomos tão bem tratados.” Lula disse que apesar da viagem maravilhosa à Inglaterra prefere o Brasil. “Mas nada paga eu retornar, depois de uma visita à rainha, e encontrar com o meu povo brasileiro.”
Ronaldo
Lula se comparou ontem ao jogador Ronaldo ao falar de sua persistência e das tentativas frustradas de chegar ao Palácio do Planalto. Antes de se eleger presidente em 2002, Lula havia sido derrotado três vezes. “Eu quero dar o meu exemplo: perdi três eleições. Tinha gente que falava: ‘desista, não dá certo, desista’. Eu não desisti e virei presidente da República. O Ronaldinho, quando machucou a perna jogando no Internacional, diziam: ‘pára Ronaldo, pára’. Ele se sacrificou, voltou e foi artilheiro da Seleção Brasileira em 2002", disse Lula para platéia formada por estudantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Pernambuco.
Em seu discurso, na Olimpíada do Conhecimento - realizada no Centro de Convenções de Olinda -, o presidente afirmou que o desenvolvimento do Nordeste é uma prioridade do seu governo. “O Nordeste não pode mais passar o século 21 sendo a parte pobre, marginalizada e esquecida deste país. Nós precisamos desenvolver o País como um todo, mas o Nordeste merece uma atenção especial.”
Ele citou em seguida uma série de investimentos feitos na região durante sua gestão. “É por isso que a refinaria da Petrobras veio para cá, é por isso que vamos fazer a Transnordestina, é por isso que vamos fazer a siderúrgica em Fortaleza, é por isso que estamos fazendo o biodiesel para a parte mais pobre do Brasil.”
Lula disse ainda que a aprovação do Fundo Nacional de Educação Básica (Fundeb) vai ajudar a melhorar os investimentos em educação no Nordeste. “A aprovação do Fundeb vai permitir mais R$ 4,3 bilhões na educação. Quem vai ganhar com isso é o Nordeste. Antes quase todo o dinheiro ia apenas para uma parte do país. E nós queremos que o país seja tratado em igualdade de condições de Norte a Sul, de Leste a Oeste.”