Geral

Após vestibular frustrado, o recomeço

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 3 min

A boca seca, adrenalina percorrendo a corrente sangüínea. O dedo trêmulo percorre o pedaço de papel afixado na parede. Em segundos, os esforços de meses, em alguns casos de anos, os planos para uma nova etapa da vida, tudo desmorona. O nome não está na lista de aprovados no vestibular.

Todos os anos, milhares de jovens vivem esta amarga experiência. No Estado de São Paulo, apenas 3% dos que terminam o ensino médio são aprovados nos vestibulares da USP, Unesp e Unicamp. O aumento do número de vagas em universidades públicas é uma discussão que está na ordem do dia. Enquanto não se chega a uma solução, cabe aos jovens lidar com este problema.

Fazer o que agora? Se entregar ao desânimo, ao sentimento de fracasso? Sucumbir às cobranças, que não são poucas, dos pais, amigos, sociedade em geral? A maioria fica a um passo de cair nesta armadilha.

Proprietário de cursinho e professor com mais de 30 anos de experiência, Luiz Gonzaga afirma que entre aqueles que são reprovados, a maioria volta traumatizada. “Tem aqueles que são insistentes, que querem cursos como medicina, por exemplo, e voltam prontos para começar de novo”, afirma. “Mas a maioria volta desanimada”.

Os primeiros dias e, às vezes, até o primeiro mês, é muito difícil, de acordo com o professor. “Os alunos estão moralmente arrasados”. Além de tempo, é preciso muito incentivo para reanimá-los. “Conversamos muito com eles. Inclusive individualmente e com os pais também”, explica Gonzaga. “Mas nos primeiros dias, o melhor é nem falar muito, eles acabam ficando mais irritados”, explica.

Os alunos são orientados a persistirem e alertados sobre o fato de que não é apenas no vestibular que vão encontrar obstáculos. “Tentamos mostrar que eles vão encontrar estas situações na vida toda. Na faculdade e no mercado de trabalho também encontrarão obstáculos, concorrência e terão que ser persistentes”, afirma Gonzaga.

A conversa se estende aos pais. “Temos a mesma conversa com pais e alunos. Os pais são orientados a evitar muita pressão”, explica Gonzaga. “É preciso cobrar, acompanhar os estudos dos filhos, mas sem pressionar demais, principalmente após o segundo semestre, quando os alunos já estão subindo pelas paredes”.

O fator experiência, como vantagem sobre os concorrentes de primeira viagem, também é apresentado para os alunos. “A pressão de familiares e deles próprios, a concorrência, tudo isso, muitas vezes, torna a primeira experiência do vestibular traumatizante”, afirma Gonzaga.

Ainda inexperientes com este tipo de situação, muitas vezes o vestibulando deixa que o nervosismo tome conta. Como resultado acabam cometendo erros banais. “Estão tão nervosos que interpretam errado o enunciado da questão”, explica Gonzaga. ”Já na segunda tentativa estão mais maduros, mudam o comportamento diante da prova”.

Aprender a estudar pode ser o segredo

Para aqueles que querem cursos concorridos como medicina, o comum é não passar no primeiro vestibular. “Tem que ter muita dedicação, estudo e, para a maioria, de três a quatro anos de cursinho”, afirma Lázara Deliberal Lima, coordenadora de ensino médio e cursinho. “Principalmente para aqueles que querem universidades estaduais e federais”.

Lázara explica que a maioria dos alunos que chegam ao cursinho vem de escolas públicas e de escolas que não preparam para o vestibular. “Estes alunos precisam criar o hábito do estudo e aprender a forma correta de estudar”, afirma.

Para a coordenadora, concorrentes a cursos como o de medicina precisam estudar o dia todo. “Aulas de manhã e à tarde e estudo à noite”, diz. Neste ritmo de estudo e depois de uma tentativa frustrante para entrar na faculdade, os alunos retornam exaustos para as salas de aula.

De acordo com ela, o que se tem a fazer é incentivá-los, mostrar que não podem desistir se têm certeza do que querem e retomar os estudos.

Comentários

Comentários