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Serra ou Alckmin?


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Os bastidores do PSDB estão fervendo, mais do que nunca, por conta da disputa pela vaga de candidato a presidente da República nas eleições de 1 de outubro deste ano. De um lado, o governador Geraldo Alckmin; de outro, o prefeito da Capital, José Serra. Ninguém mais, por incrível que pareça. Nem Tasso Jereissati (senador pelo Ceará e presidente nacional do PSDB), nem Aécio Neves (governador de Minas Gerais). O primeiro parece ter abandonado o sonho de ocupar o trono do Palácio do Planalto. O segundo, se convenceu ou foi convencido de que ainda é cedo para sonhar com o cargo para o qual o avô (Tancredo Neves - 1910/1985) foi eleito na última eleição indireta que se viu no Brasil, mas não chegou a ocupar porque ficou doente antes da data da posse e morreu sem ter condições de assumir a Presidência da República.

Há um ano alguém que não conheça nem viva o dia-a-dia dos bastidores do PSDB não poderia imaginar que a disputa seria polarizada em torno de Alckmin e Serra. Tudo parecia caminhar em direção a Aécio, a maior novidade entre os executivos tucanos. E, caso ele não emplacasse, o partido fundado por Franco Montoro (1916/1999), Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas (1930/2001) poderia lançar mão de Jereissati.

No momento decisivo, entretanto, o governador de São Paulo resolveu mostrar que não é “um picolé de chuchu”, como o chamavam nos bastidores. Aproveitou o momento certo e disse “sim”, com a veemência que o assunto exigia, à possibilidade de vir a concorrer com o presidente Lula nas próximas eleições. Em seguida, assumiu a postura de candidato a candidato e saiu pelo Brasil. E o fez da forma mais correta possível: nos momentos de folga como ocupante do trono do Palácio dos Bandeirantes (se é que governador tem folga) e com dinheiro do próprio bolso.

Mas as pesquisas se encarregaram de colocar uma pedra - ou melhor, um amontoado de pedras, que responde pelo nome de Serra - no caminho de Alckmin. E um prefeito, ainda que da capital estadual mais importante do Brasil, tenta fazer com que o ocupante do segundo cargo político mais expressivo do País tropece antes de chegar a data oficial para registro da chapa do PSDB às próximas eleições presidenciais.

Aí surgiu o dilema, que, por ironia do destino, é exatamente aquilo que os tucanos mais odeiam, segundo o folclore político brasileiro: ter que decidir entre Alckmin ou Serra, Serra ou Alckmin.Indecisos ou não, os membros da executiva do Partido da Social Democracia Brasileira terão que descer do muro em breve. Dentro de 15 dias, no máximo. É isso que vem aumentando a temperatura no caldeirão tucano, porque, se a decisão não for a correta, o PSDB certamente correrá o risco de perder os dois cargos mais importantes que ocupa, hoje, no cenário político brasileiro: o de governador e o de prefeito de São Paulo.

Nessa hora faltam ao PSDB estrategistas e políticos inteligentes e experientes como os ex-governadores e ex-presidenciáveis Franco Montoro e Mário Covas. O primeiro com a sua característica moderação. O segundo, com a sua indisfarçável explosão. Na falta de Montoro e Covas, a decisão ficou nas mãos de Aécio Neves (que na Quarta-Feira de Cinzas voou em férias para o exterior), FHC e Tasso Jereissati. Quem eles vão escolher? Alckmin ou Serra? Serra ou Alckmin? Por enquanto, nem eles sabem, tamanha é a responsabilidade que têm em mãos. (O autor, Cláudio Amaral, é jornalista há 38 anos, trabalhou no Estadão, no Correio Braziliense, no Grupo Folha de S.Paulo, no Jornal do Brasil, na Imprensa Oficial do Estado e é editor no Comércio da Franca)

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