Como bauruense e noroestino por adoção, há 37 anos (22/2/69) meu pai se mudava para a nossa querida Bauru, terra natal de minha mãe. Ao chegar da capital com 10 anos, fanático por futebol e torcedor do Palmeiras, assim como meus pais e irmãos, encontrei na figura querida, carismática e saudosa do tio Carlito, casado com a tia Nina, a irmã mais velha de mamãe, um noroestino e corintiano doente, daqueles que percorriam a região para assistir aos jogos do EC Noroeste ou Corinthians, sempre me levando a tiracolo e “sugerindo” que eu deveria me tornar torcedor do Corinthians (isso nem na outra encarnação) e do Noroeste, esse mérito sim, ele conseguiu. O que o tio Carlito não conseguiu foi que seu filho, o meu primo Candinho, fosse torcedor do Corinthians apesar da imposição feita até que ele completasse 18 anos, suportou esses anos todos por respeito, visto que, como somos descendentes diretos de italianos oriundis, essa é a data limite a partir da qual temos que nos responsabilizar por nossas vidas e atos, dessa forma, decidiu lhe comunicar que: apesar dos inúmeros uniformes, fotos, posters, bolas, chaveiros, quadros, etc... do Corinthians que ganhara até aquela data, não serviram para nada a não ser como transtorno já que ele era, na verdade do fundo do seu coração, torcedor roxo do Palmeiras. Não foi fácil, na época, ao saudoso tio Carlito assimilar o golpe.
Mas, voltando ao Noroeste, foi dessa forma que herdei o prazer e a satisfação de ser torcedor fanático do EC Noroeste, não importa a série ou contra quem, o nosso querido Norusca a maquininha vermelha de tantas glórias e algumas tristezas, como as quedas de 1993 para as divisões A2 e A3 e, durante esses longos 12 anos seguidos onde sempre nos faltava alguma coisa para alcançarmos o acesso. Bendito seja, sr. Damião Garcia e toda sua equipe técnica e aos jogadores pela alegria, satisfação e orgulho que nos vêm proporcionando desde o acesso da A3, A2, Copa Federação e essa, até aqui, inédita campanha dentro da 1.ª Divisão do Campeonato Paulista, a qual vem despertando nos bauruenses o orgulho de vestir a camisa do EC Noroeste, motivação para acompanhar as campanhas, ir ao estádio e reagindo quando alguns membros da crônica esportiva da capital não dão o devido valor e respeito que o Norusca merece. Para eu dar seqüência à tradição de transmitir o amor pelo Norusca de pai para filho, quase sempre levo meus filhos, Bruno e Pedro, de 10 e 7 anos, respectivamente, ao estádio. Estamos sempre lá no setor B das cadeiras do Estádio Alfredo de Castilho, cadeira que possuo há 37 anos. Eles vibram, torcem, lêem as notícias nos jornais, assistem reportagens e escutam rádio para saber como estão as coisas no Norusca. A semente está plantada, tenho certeza que quando partir para um outro plano de vida eles estarão ali naquele mesmo lugar assistindo o Norusca, não importa em que série ou contra quem. Prova disso é que no Natal de 2005, em suas cartas endereçadas ao Papai Noel, eles pediram a camisa do EC Noroeste, fato esse que foi impulsionado após terem acompanhado a jornada vitoriosa da Copa Federação e visitado a loja do “Noroeste Mania” onde puderam ver de perto a taça de campeão da Copa Federação e a taça de vice-campeão da série A2, além de todos os novos materiais esportivos do novo patrocinador.
Quando achei que nada mais de bom poderia acontecer em termos de transmitir a herança de acompanhar o Norusca, a maior surpresa estava reservada para o último dia 22/02/06, ou seja, exatamente no dia em que completei 37 anos de moradia em Bauru, fui com meus filhos à casa de minha mãe e eles combinaram que iriam todos ao estádio assistir Noroeste x Palmeiras que ocorreu no último dia 25/02 p.p., times do coração de todos nós, mas que iriam torcer para o Norusca. Que alegria, que emoção o nosso Norusca, unindo gerações e fazendo com que minha mãe, uma senhora de 68 anos, que outrora nunca havia pisado num campo de futebol decidisse por fazê-lo para contemplar a festa esportiva proporcionada por uma partida de futebol.
Obrigado, Esporte Clube Noroeste, por me ter proporcionado grandes tardes e noites de futebol nesses últimos 37 anos e neste momento estar proporcionando a nós bauruenses tanta alegria por essa campanha magnífica neste Paulistão. Tenho certeza que seu legado será eterno.
Domingos A. Malandrino - RG 10.347.048