São Paulo - O Estado de São Paulo não deverá assistir a grandes mudanças em sua administração após a saída de Geraldo Alckmin (PSDB) para concorrer à Presidência. O pefelista Cláudio Lembo, que deve assumir em abril, garante que irá seguir, durante os nove meses no cargo, os caminhos do tucano - mantendo os secretários que desejarem permanecer, dando continuidade aos projetos e crédito a Alckmin pelas ações iniciadas em sua administração.
“Vou procurar manter o maior equilíbrio possível (em relação ao governo do tucano). Sem ruptura nenhuma”, disse ontem, após a oficialização da saída de Alckmin do governo no próximo dia 31.
Lembo afirmou esperar “que todos os secretários fiquem”, para que o governo mude o mínimo possível, apesar de alguns nomes já terem anunciado a saída para concorrer às eleições ou trabalhar na candidatura Alckmin.
Discreto, Lembo, que é também presidente estadual do PFL, atua longe dos holofotes, e garante a Alckmin, que o escolheu como vice em 2002, certa tranqüilidade ao entregar o segundo maior Orçamento do País, de cerca de R$ 80 bilhões neste ano, a outro partido.
O PFL, por sua vez, vê crescer o seu poder no Estado. O partido detém também a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo, conquistada em março do ano passado, em episódio que representou derrota de Alckmin, com vitória do deputado Rodrigo Garcia contra o candidato tucano. Mas Lembo nega que suas decisões como governador possam sofrer influência do partido.
Carreira
Lembo se considera conservador, mas aberto a debates. Embora tenha sido presidente regional da Arena, partido que sustentou a ditadura militar (1964-1985), diz ter lutado pela redemocratização do País.
Foi durante o regime militar, inclusive, que ele disputou a única eleição sem ser vice de outro político. Em 1978, concorreu a uma vaga no Senado, mas não conseguiu ser eleito. O pefelista é também professor e advogado e já foi reitor da Universidade Mackenzie, em São Paulo.