A região de Bauru, segundo dados da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDAgro) de Campinas, tem um plantel de cerca de 2,3 milhões de aves e isso coloca a área em alerta por causa da gripe aviária. O levantamento foi feito entre abril e dezembro do ano passado dentro do programa de vigilância da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.
A maioria dos produtores de aves da região trabalha com frangos de corte, que, juntos, somam cerca de 2 milhões de aves distribuídas em 93 granjas. Essas granjas abrigam pelo menos 215 galpões. De acordo com os dados levantados pela CDAgro, dois produtores da região trabalham com aves para postura de ovos comerciais somando 272 mil aves, distribuídas em 16 galpões.
Ainda segundo os dados da CDAgro, a região de Bauru, também possui quatro granjas onde são criadas galinhas de reprodução e conta com outros quatro produtores de avestruzes, que juntos possuem 404 unidades da ave.
Segundo o médico veterinário Fernando Gomes Buchala, coordenador do programa de sanidade avícola da CDAgro, mesmo antes da disseminação da gripe do frango pelo mundo, os trabalhos de vigilância sanitária estavam sendo feitos. “É claro que agora há um incremento, uma atenção maior por parte das autoridades sanitárias de intensificar a vigilância”, explica o veterinário.
Pedro Poli, diretor da Avícola Itabom de Itapuí, também ressalta que há muito tempo o governo vem tomando medidas de prevenção. “Em todas as granjas hoje no Brasil já existe um controle sanitário. Não em função da gripe aviária, mas mesmo antes disso. Porque a gente tem que se prevenir de algumas outras doenças”, comenta Poli.
De acordo com Buchala, os dados levantados permitiram fazer um geoprocessamento e criar um mapa indicando a localização de cada unidade com aves no Estado. “Hoje, através de latitude e longitude, temos a localização em um mapa. Sabemos, por meio do satélite, onde estão todas as granjas dentro do Estado. Sabemos o nome do produtor, da granja, a categoria do produtor (se é produtor de aves, de ovos comerciais ou de frango de corte). Ou ainda se ele tem aves reprodutoras, avestruz ou codornas”, explica.
Buchala explica que, a cada três meses, as granjas de reprodução são inspecionadas pela CDAgro que colhe amostras de sangue e da cloaca e traquéia das aves para análise em laboratórios credenciados.
Segundo ele, os exames preventivos para a detecção da gripe aviária são executados nos laboratórios do governo sem custos para o produtor. “Todo o material de vigilância para a gripe aviária são coletas oficiais, que são processadas em laboratório do governo, sem custo para o setor produtivo”, diz Buchala, lembrando que outros tipos de monitoramento também são feitos.
“Outro monitoramento que a gente faz é para a salmonela e o micoplasmo, nessas (análises) são as empresas que arcam com o custo. A empresa é quem faz e a gente certifica a propriedade como livre dessas enfermidades”, completa.
Livre da gripe
A região, de acordo com Buchala, foi considerada área livre da gripe do frango depois que o CDAgro realizou um amplo trabalho de análise nas aves. “Foi por meio de um inquérito que nós realizamos o levantamento no período entre 2002 e 2004. Nós colhemos em torno de 35 mil amostras entre soro sangüíneo e materiais da cloaca e da traquéia das aves e encaminhamos para o laboratório de referência do Ministério da Agricultura. Foram realizados as provas sorológicas e as tentativas de isolamento, onde nós declaramos, então, a ausência desses vírus em nossos plantéis.”
Com o levantamento em mãos, Buchala explica que os dados serão sempre atualizados. “Agora, a atualização será constante. Daqui para frente, nós temos que manter um sistema de vigilância para todas as unidades de produção justamente para ter um monitoramento dessas unidades. Entra num trabalho de rotina contínua que é uma força-tarefa de abril até dezembro”, conclui.