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Mesmo contaminada, a carne não representa risco se for bem cozida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O médico Domingos Alves Meira, professor emérito da Faculdade de Medicina de Botucatu, recomenda às pessoas que gostam de comer carne de frango ou outra ave que cozinhe bem o alimento. Se isso for feito, o risco de contaminação é nulo.

Segundo ele, o vírus da gripe aviária não resiste a um calor superior a 50 graus centígrados. Uma carne em ponto de cozimento é submetida a uma temperatura bem acima dos 50 graus. “Então, se a carne for bem cozida não há risco nenhum (para os humanos), mesmo que ela esteja contaminada”, afirma Meira, especialista em doenças infecciosas e parasitárias.

Segundo ele, é preciso, entretanto, tomar cuidado na hora de manusear a carne crua. O uso de luvas seria uma saída. Apesar das recomendações, ele lembra que no Brasil não foi registrado até o momento nenhum caso de gripe aviária, seja nas aves ou em humanos.

O problema está concentrado na Ásia, mas começa a se espalhar pela Europa. Apesar da disseminação, Meira ressalta que a migração das aves do hemisfério norte não tem ligação com a migração no hemisfério sul, onde está o Brasil.

Além disso, as autoridades sanitárias brasileiras estão atentas para o problema e uma vacina para combater a doença está em fase avançada de estudo e desenvolvimento em institutos, como o Adolfo Lutz e Butantã.

Um dado que preocupa bastante, segundo Meira, é o índice de mortalidade alcançado pela doença. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, desde 2003 foram registrados 176 casos de gripe aviária em humanos, sendo que 98 resultaram em morte. Ou seja, um índice acima de 50%, o que é considerado altíssimo, segundo o médico de Botucatu.

“Para uma população de 6 bilhões de pessoas, 176 infectados representam muito pouco em termos de saúde pública. O que preocupa realmente é o índice de mortes.”

A doença ganhou destaque em 2003, quando três pessoas morreram no Vietnã. Depois disso, foram registrados casos na Tailândia, Camboja, China, Indonésia e mais recentemente no Iraque e na Turquia -primeiro país da Europa a registrar a doença.

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