Bairros

Cuidar de 271 praças e 20 mil terrenos é desafio para cidade

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O desafio é grande. São 271 praças para jardinar, mais de 20 mil terrenos baldios sem calçadas e milhares de quadras para capinar e bocas-de-lobo para limpar. Para conseguir deixar Bauru mais bem cuidada, as secretarias da Administrações Regionais (Sear) e do Meio Ambiente (Semma), e Organizações Não Governamentais (ONGs), apontam o que teria de ser feito na cidade. Para eles, a aprovação de projetos de lei sobre o tema, contratação de pessoal para o trabalho em campo e conscientização dos bauruenses são algumas das principais ferramentas para deixar a cidade mais bonita.

Ivan Alexandre Ferrazoli de Marchi, biólogo e coordenador do Vidágua, ressalta que em muitos casos é a própria população quem mau-trata à cidade. “Destroem lixeiras, degradam as praças”, aponta. Ele também ressalta a participação da prefeitura, que demora na manutenção de praças e áreas verdes. “Com o acúmulo de entulho, as pessoas acabam jogando mais lixo”, observa. Para cuidar melhor de Bauru, ele afirma que as pessoas deveriam partir mais para a ação. “Se articular, promover manifestações. Além disso, elas mesmas poderiam colocar a mão na massa”, sugere.

As parcerias público-privadas também podem ser uma alternativa. “É uma idéia válida, desde que a prefeitura não se isente de suas responsabilidades”, argumenta. Para Marchi, as universidade também poderiam contribuir com a manutenção dessas áreas. “Alunos de arquitetura e urbanismo poderiam cuidar do paisagismo. Enquanto os de biologia, auxiliariam com as plantas”, aponta. À prefeitura, ele sugere buscar em outros municípios experiências que deram certo.

Para Nélson Fio, titular da Sear, se a população cuidasse de suas calçadas, já ajudaria. “Cada morador deve zelar pela sua casa. Não deixar o mato crescer e, se a calçada começar a quebrar, arrume antes de ficar pior. Tudo o que a gente pede é a colaboração do povo”, diz.

Carlos Barbieri, titular da Semma, enumera as ações que ajudariam deixar a cidade com um aspecto melhor. Para ele, cada morador poderia contribuir varrendo as folhas de suas árvores e cuidando de sua calçada. “Cuidar de uma árvore pode ser até uma terapia”, aponta o secretário. Quanto à sua secretaria, ele avalia que os investimentos em equipamentos e capacitação de mão-de-obra já seria um grande avanço. “Com tudo isso, não tem como não melhorar o atendimento”, garante.

Estrutura

Atualmente, a Sear possui uma equipe de 76 servidores, divididos em 8 regionais, para limpar todas as guias, sarjetas e bueiros da cidade. Eles também compartilham com a Semma, a manutenção das áreas verdes de todas as escolas municipais e núcleos de saúde. Com o contigente disponível, Fio observa que a secretaria consegue limpar as principais avenidas da cidade de dois em dois meses. Algumas vias, recebem manutenção apenas três ou quatro vezes ao ano. “O ideal seria ter o dobro de pessoas”, calcula. Dessa forma, ele aponta que o trabalho seria realizado a cada um mês e meio.

Para Fio, a prefeitura possui muitos funcionários internos. “Falta gente que trabalhe em campo”, observa. E como a possibilidade de dobrar a sua equipe não é viável, no momento a Sear, e a Semma estão capacitando e aparelhando o seu pessoal. “A secretaria dispunha de apenas três máquinas costais para aparar grama. E tínhamos que revezá-las em todas as regionais. Agora, estamos adquirindo 20 aparelhos desse”, conta o secretário.

Com o investimento, a secretaria planeja diminuir o déficit de limpeza nos bairros. “No final do ano, essa cidade vai estar muito mais limpa e bonita, se a população ajudar”, acredita Fio. Além de boa vontade, é preciso de dinheiro. E a Sear teve seu orçamento quase que dobrado. Em 2005, foram destinados R$ 3,5 milhões para a secretaria. Neste ano, o valor é de R$ 6,8 milhões.

Ontem, um parecer do Departamento Jurídico da prefeitura jogou um balde de água fria nos planos de contratação de uma empresa terceirizada para a manutenção de áreas verdes das escolas municipais. Baribieri dava como certa a licitação do serviço, mas com a negativa, terá de buscar junto a outras secretarias uma alternativa. Sem as escolas, Barbieri afirma que a Semma daria conta de todas as áreas verdes. “Com os atuais investimentos, a capacitação da equipe e os novos equipamentos, conseguiríamos fazer tudo. Poderíamos atender cada praça que não possui jardineiro próprio, até duas vezes ao ano”, calcula o secretário.

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