Até quatro horas de espera por uma consulta médica e falta de leitos são dificuldades enfrentadas por pacientes que procuram o Pronto-Socorro (PS) Central de Bauru. Mas ontem, a situação foi pior. Três pacientes – dois deles idosos – passaram a noite sentados em cadeiras tomando soro por falta de macas. Todos os 14 leitos da enfermaria já estavam ocupados por outros pacientes. Outros estavam em macas nos corredores.
Por dia, são atendidas aproximadamente 350 pessoas no PS Central, mas a maioria não se enquadra em caso de urgência ou emergência e poderia ser assistida nos núcleos de saúde em seus bairros. Muitos pacientes até procuram o atendimento nas unidades próximas de suas casas, mas a falta de médicos e a demora para conseguir consulta fazem com que recorram ao pronto-socorro, que acaba abarrotado.
O microempresário Maurílio Fábio de Camargo ficou indignado com a situação de sua filha, Natália Ladeira de Camargo, uma das pacientes que passaram a noite sentada. “Chegamos no pronto-socorro às 23h (de anteontem). Ela foi medicada rapidamente, mas não tinha maca para deitar. Passou a noite gemendo de dor, sem ter lugar adequado para descansar”, afirma.
Na manhã de ontem, ainda sob cuidados médicos no pronto-socorro, ela disse que ao seu lado outros dois pacientes idosos também tiveram que passar a noite em uma cadeira. “Um senhor de bastante idade gemia o tempo todo porque estava com muitas dores. Mas eu não podia fazer nada porque não tinha lugar para ceder para ele deitar”, conta Natália.
A informação de que as três pessoas passaram a noite sentadas em cadeiras foi confirmada pelo novo diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria de Saúde, José Roberto Berber. Ele informou que ontem de manhã os dois idosos conseguiram vaga em leitos da enfermaria enquanto aguardam vagas em hospitais. Já Natália seria medicada e liberada ontem mesmo.
A servente Odete Ribeiro, 45 anos, também procurou o PS Central ontem, com dores nas articulações. “Passei mal à noite e como as dores eram fortes, fui até o pronto-socorro. Lá, tomei injeção de Voltaren (antiinflamatório) e uma funcionária disse para eu procurar um posto de saúde para marcar consulta”, diz.
Quando as dores diminuíram, ontem mesmo, Ribeiro procurou o Núcleo de Saúde do Octávio Rasi, mas ficou surpresa com a demora para conseguir consulta. “Disseram para eu voltar só no mês que vem porque não estão agendando mais consultas para clínico geral”, preocupa-se.
Consulta com clínico geral é a principal demanda nos postos, mas justamente a especialidade com maior falta de profissionais. O JC confirmou que a demora para conseguir uma consulta pode chegar a um mês.
Na terça-feira, o JC já havia recebido reclamações de demora no atendimento no PS Central. Os usuários chegaram a esperar até quatro horas para serem consultados pelos médicos. Na ocasião, a diretora de enfermagem do Departamento de Urgência e Emergência do PS Central, Laudicéia Rodrigues Crivelaro, admitiu que a instituição dispõe de número insuficiente de médicos para dar conta da demanda.
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Concurso
Para atender melhor a demanda de pacientes, a prefeitura abriu concurso público para a contratação de cinco médicos, mas precisou prorrogar as inscrições até hoje por falta de profissionais interessados.
O salário oferecido para os concursados municipais é R$ 941,97 por 20 horas semanais e vale-compra de R$ 132,00. Já os médicos contratados pelo governo do Estado de São Paulo recebem salário bem maior: R$ 3.536,00 para trabalhar no Hospital Estadual por 40 horas semanais.