O Jornal da Cidade promoveu jantar, na Fazenda JC, no Recinto Mello Moraes, com a crônica esportiva bauruense para um debate sobre o atual momento do Noroeste, que segue entre os primeiros colocados no Campeonato Paulista e atravessa transição em sua administração, com a substituição do superintendente Celso Zinsly, que morreu no último dia 25, por Fábio Ribeiro, o Fabinho.
O sentimento da crônica reflete o de toda torcida alvirrubra: euforia pela grande fase do time em campo e pelo resgate do Noroeste como clube e como um dos símbolos de Bauru no País. Entre muitos elogios e algumas críticas, todos foram unânimes em salientar a necessidade da continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido pela atual diretoria, comandada por Damião Garcia, com ênfase na revelação de jogadores. O pensamento, agora, é crescer também em competições nacionais e o primeiro passo é a Série C do Campeonato Brasileiro, no segundo semestre.
Para J. Martins, repórter da Rádio 710/Jovem Pan, o Norusca tem que comemorar a volta por cima. “Acredito que é o momento que todos nós que gostamos de Bauru, que gostamos do Noroeste, esperávamos ver um dia. O time no estágio que está. Não só em nível de resultados, mas em nível de organização, em nível de reconhecimento, até de mídia. Hoje, o Noroeste voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Ou seja, uma equipe nacionalmente conhecida, fazendo uma grande campanha e com todas as possibilidade de vir a ser o campeão do Interior. Então, eu acho que em seus 95 anos é um dos melhores momentos que o Noroeste está vivendo.”
J. Martins acredita que o clube deve partir para uma profissionalização mais evidente em sua diretoria, após a morte de Celso Zinsly. “Como em todo seguimento da vida, tem que haver a seqüência e certamente o Noroeste vai se direcionar para o lado mais profissional. O Celso foi um grande dirigente e teve uma parcela considerável no sucesso que o time atingiu, mas seguramente, agora, vai haver um direcionamento mais profissional, em nível até de revelação de jogadores, de retorno de investimento. A semente que o Celso plantou vai germinar e dar bons frutos, eu não tenho dúvida.”
Rafael Antônio, locutor da 710/Jovem Pan, chamou de revolução as mudanças implantadas pela diretoria nos últimos três anos. “Tivemos uma transformação da água para o vinho. Há três anos, o Noroeste vivia uma situação de fechar as portas. Houve uma grande metamorfose. Não só no aspecto de administração do clube, como na própria estrutura do Noroeste. Entendo que o seo Damião Garcia, através da injeção financeira, e o Celso Zinsly, que nos deixou a pouco, tocando o projeto, foi algo que revolucionou o Noroeste e o colocou em um lugar de onde nunca deveria ter saído. Aliou-se duas coisas: a capacidade de transformar com o recurso financeiro.”
Segundo Rafael Antônio, é necessário o Noroeste não se acomodar para continuar crescendo. “Tem que haver continuidade no projeto. Muitos acreditam que estar na elite do Campeonato Paulista é o bastante. Eu não penso assim. Para um clube ter rentabilidade, é preciso que ele se mantenha em atividade nos 12 meses do ano. Isso só é possível com a equipe na elite do futebol paulista, mas também, no mínimo, na Série B do Campeonato Brasileiro.”
O também locutor da 710/Jovem Pan, José Carlos Gonçalves, afirma que chegou a hora do clube começar a lucrar com suas revelações. “O Noroeste vive um momento diferente pela forma como é administrado. Com os presidentes anteriores, o Noroeste sempre viveu mais do coração, do amor pelo clube, mas faltou uma visão mais para o futuro. Aquilo que nós sempre defendemos em Bauru, que é o trabalho com as escolinhas, com as categorias de base. Hoje, o Noroeste tem esta visão empresa do futebol. O futebol é um grande negócio. Nestes três anos, o Noroeste revelou alguns jogadores, mas não vendeu nenhum. Hoje, o clube tem visibilidade nacional. Chegou o momento de começar a repassar jogadores.”
Ademir Elias, da TV FIB, espera que a sociedade bauruense seja mais participativa e atuante no clube. “Acredito que o bauruense está tendo muito orgulho desta era Damião Garcia, porque em três anos o time saiu da Terceira Divisão e chegou à divisão de elite do Campeonato Paulista. É um motivo de comemoração, mas é também um motivo de reflexão e de união para que esta bandeira levantada pelo Damião Garcia possa ter continuidade. Porque é lógico que o Damião não é eterno. A comunidade de uma forma geral, empresários, moradores da cidade, o torcedor tem que levantar esta bandeira, se engajar neste luta para que o Noroeste permaneça.”
Luís Roberto Tizoco, da TV Bandeirantes, falou de planejamento e lembrou da polêmica com o comentarista Paulo Roberto Martins, o Morsa. “É um momento bastante interessante para o time por uma questão básica: desta vez o time se preparou. Esta foi a diferença fundamental para todas as outras vezes em que nós tivemos a expectativa de que o Noroeste poderia fazer alguma coisa em uma divisão primeira do futebol paulista e mesmo do futebol nacional. A gente sempre esbarrava no problema da falta de planejamento, da falta de estrutura, da dificuldade de investimento. Hoje, estamos inseridos na polêmica nacional. Alguns falam que o Noroeste é fogo de palha, que não vai chegar a nada. Acho interessante esta polêmica com Paulo Roberto Martins, o Morsa, porque um, dois anos atrás nem isso falavam da gente.”
Segundo Samuel Ferro, da TV Preve, o Noroeste já passa a ser referência nacional. “Hoje, quando você fala do Noroeste em outros estádios, todo mundo fala que o Noroeste é uma das equipes mais importantes não só do Estado, mas do futebol brasileiro, por causa desta estrutura que todo mundo já conhece. Um estádio que oferece bons vestiários, que oferece boa acomodação para o público, que oferece hospedagem para os jogadores. Isto tudo faz parte desta estrutura montada ao longo deste último período. É por isso que este trabalho é reconhecido lá fora.”
Elogios e críticas
O locutor Luís Carlos Silvestre, da Rádio Auri-verde, também comemorava a grande fase e lembou dos tempos de “vacas magras”. “Nós temos que nos ufanar. Nós ficamos 13 anos sofrendo, juntando Série A3 e Série A2. Quantas não foram as vezes, jogando a Copa Estado de São Paulo, eu e o J. Augusto sozinhos no estádio. Nós íamos porque era o Noroeste. Hoje, você vai fazer Noroeste x Corinthians, Noroeste x Palmeiras com o estádio lotado. O Damião (Garcia) deu nova vida ao clube.”
Silvestre, no entanto, ainda vê algumas falhas. “Há erros de estratégia. No jogo contra o 15 de Campo Bom nunca poderia se ter utilizado um time reserva, porque a equipe estaria classificada e teria jogado contra o Grêmio com o estádio lotado. O ingresso (em Bauru) custa R$ 20,00, enquanto São Paulo x Corinthians custou R$ 15,00, com R$ 7,00 a meia. Clássico do campeão do mundo contra o campeão brasileiro. Mas por que cobramos R$ 20,00? Porque precisa de dinheiro. Então, deixa ele disputar a Copa do Brasil, que dá R$ 120 mil a cada dois jogos. É triste algumas constatações.”
Sobre a saúde financeira do clube, Silvestre foi mais contundente. “Permita-me dizer uma coisa, que pode até chocar as pessoas. O Damião Garcia pede ajuda, mas não aceita pequena ajuda. Se você oferecer R$ 5 mil para o Damião, ele fala ‘enfia em algum lugar’. Ele não aceita. Ele é o comandante, você pode ajudar, mas não interfira nos negócios dele, tem que ajudar quietinho. Eu tenho a impressão de que o Damião não faz questão nenhuma que ajudem, até porque ele tem dinheiro de sobra. Ele não está precisando. Ele está levando o Noroeste muito bem. O Noroeste é um time de aluguel. Vai acabar o Paulista agora e, para disputar a Série C do Brasileiro, vai ter que contratar um time inteiro.”
Nas próximas edições, o Jornal da Cidade dará continuidade à cobertura do evento, com matéria especial sobre as rádios da região.
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Categorias de base
Se depender dos planos do novo superintendente do Noroeste, Fábio Ribeiro, o Fabinho, torcedores e cronistas podem ficar tranqüilos, pois a filosofia de trabalho deve ser dar continuidade ao que vem sendo feito no clube e investir nas categorias de base.
“Tudo o que a gente tem em pensamento vai ser concretizado com o aval do seo Damião. São idéias que já estavam sendo tratadas, mas ele é muito importante nisso tudo. Eu vejo a região de Bauru como uma potência em termos de jogadores, acho que tem condições de a gente fazer um trabalho bom neste sentido e também há a necessidade. O clube depende de receita, de negociações de jogadores da casa, porque os campeonatos são muito difíceis. A equipe tem que contar também com transações de jogadores, caso contrário sobrecarrega muito na parte financeira.”
O novo superintendente do Norusca deixa claro que o papel do presidente do Noroeste é decisivo na estratégia do clube. “No momento, é dar sequência no Campeonato Paulista e terminar bem a competição. Depois de terminada a competição, é lógico que o seo Damião vai estar presente e nos passar as diretrizes para o segundo semestre. Temos a Série C (do Campeonato Brasileiro), temos a Copa do Estado (Copa Federação) e quem vai determinar a forma como vai ser disputado vai ser o seo Damião.”
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Depoimentos
“É o grande momento da cidade e do clube. O bauruense que está morando fora da cidade abraçou esta causa. Nos jogos em Campinas, Santos, Jundiaí tinha torcedores do Noroeste, que acompanhavam o Noroeste desde a Terceira Divisão (Série A3). É uma grande alegria. Hoje, o Noroeste é uma referência nacional.” José Roberto Pavanello, sangue rubro
“Existem duas situações que têm que caminhar juntas: financeira e competência. Um grande mérito é do Damião Garcia acreditar e investir. O outro é de quem gerenciou, não só o Celso (Zinsly), mas outros também administraram bem. Mas se não tem investimento, não tem competência que vai gerar o que não existe em dinheiro. As duas coisas caminharam lado a lado e o resultado foi maravilhoso para Bauru e o Noroeste.” Antônio Carlos Barbosa, secretário de esportes
“Eu acho que hoje o Noroeste está exercendo um papel importantíssimo para a divulgação da cidade. Para Bauru, é fundamental essa participação do Noroeste na Série A1 do Campeonato Paulista.” Dudu Ranieri, TV FIB
“O que está acontecendo no Noroeste é a constatação clara dos frutos que rende um trabalho sério, bem organizado, estruturado, com um comando firme do seo Damião (Garcia). Está mostrando que é possível fazer o esporte em Bauru de uma maneira competente e muito competitiva. Assim como o basquete, alguns anos atrás, colocou Bauru na mídia sendo campeão paulista e nacional, hoje é o Noroeste que está colocando Bauru na mídia, mostrando para o resto do Brasil a Bauru que dá certo.” Zezinho Martha, presidente do Bauru Basquete
“O Noroeste voltou a brilhar novamente, tanto é que é falado no Estado de São Paulo inteiro. Espero que ele seja campeão paulista, tem tudo para ser.” Delfino Del Rey, presidente da Liga Bauruense de Malha