Polícia

Seqüestro em Goiânia é pago em Bauru

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru esclareceu ontem parte de um seqüestro realizado em Goiânia, na última terça-feira. O dinheiro do resgate, R$ 120 mil, foi depositado em Bauru, na conta poupança da Caixa Econômica Federal de Marcos Augusto Freitas, 26 anos, que mora na cidade. O dinheiro foi retirado pelo rapaz, que está preso, e entregue a uma pessoa cujo primeiro nome seria Caio, morador de Marília, que está sendo procurado pela polícia.

A vítima, o empresário paraense Oséas Nunes de Castro, 48 anos, foi atraído para Goiânia, onde foi seqüestrado, por um anúncio de venda de máquinas a preço abaixo dos de mercado. A trama, complicada, tem por finalidade confundir a polícia e dificultar a localização dos líderes da quadrilha que já lesou e continua lesando muitas pessoas no Estado de Goiás, onde é conhecido como o golpe da moda. No ano passado, duas pessoas - pai e filho - morreram num seqüestro semelhante em Goiás.

Freitas, que será indiciado como co-participante do crime de seqüestro, é tido como testa de ferro da quadrilha, que ainda não está totalmente identificada. O papel dele no bando era ceder a conta poupança para o depósito, retirar o valor do resgate e entregá-lo em espécie a Caio. Pelo serviço, Freitas recebia, em média, 10% do valor negociado.

O caso foi descoberto a partir de um saque feito por Freitas na última quinta-feira na, agência da CEF da rua Gustavo Maciel, no valor de R$ 120 mil. A quantia retirada chamou a atenção de uma bancária, que procurou a polícia logo depois de receber uma mensagem do Banco da Amazônia bloqueando a retirada e informando que o dinheiro era oriundo de pagamento de resgate.

Com a informação da agência bancária, policiais da DIG iniciaram as investigações, acreditando que a conta era fantasma (aberta com documentos e endereço falsos). “Normalmente em casos semelhantes, o titular da conta apresenta documentos frios e, após pegar o dinheiro, deixa a cidade”, comenta o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da DIG.

Mas, para surpresa da polícia, todos os dados da ficha de Freitas na CEF eram verdadeiros. O rapaz foi preso no apartamento em que morava, onde os policiais encontraram apenas os extratos bancários que comprovavam saques, cartões bancários e amarrilho usado para prender o dinheiro, além de pouco mais de R$ 200,00.

Questionado sobre o saque de R$ 120 mil, Freitas alegou que havia emprestado a conta para um corretor de imóvel de Marília e que desconhecia que o dinheiro era ilícito. Pelos extratos bancários, a polícia descobriu que foram feitos três saques de maior valor entre o mês passado e este. “No dia 9 de fevereiro foram feitos dois depósitos na conta de Freitas - um de R$ 10 mil e outro de R$ 25 mil. O saque foi feito no mesmo dia e Freitas confessou ter recebido R$ 1,9 mil de comissão”, relata o delegado.

No dia 20 do mesmo mês, foi feito um depósito de R$ 18,5 mil, que ele sacou na mesma data. Desta vez, Freitas teria ficado com R$ 1,8 mil, valor da sua comissão. Na quinta-feira, a retirada de R$ 120 rendeu uma comissão de R$ 6,5 mil, valor que ele alega ter pago contas, além de depositar R$ 2 mil na conta de uma parente. Ainda faltam R$ 3 mil, que, até ontem à tarde, não tinham sido encontrados.

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Golpe da Moda

O empresário paraense Oseas Nunes de Castro, 48 anos, caiu num golpe que já está conhecido na região do Centro-Oeste do Brasil. Os golpistas, que são um misto de ladrões e estelionatários, anunciam máquinas agrícolas específicas para plantações da região Norte do País, ou para a região Sul - nunca na região onde eles estão - a preços abaixo dos de mercado.

Ao ver o anúncio, empresários telefonam para o número divulgado, que é de um membro da quadrilha. Depois do contato, o golpista combina o local - no caso de Castro foi em Goiânia - para o comprador veja a máquina oferecida. Quando a vítima chega, eles questionam se ela trouxe o dinheiro. Se levou, eles praticam um assalto. Caso contrário, comunicam que se trata de um seqüestro.

Resgate

Com a vítima em cativeiro, a quadrilha pede o resgate, sempre num valor possível de ser pago rapidamente pela família do seqüestrado. O dinheiro é depositado em conta poupança de outras cidades e até de outros Estados, como de Marcos de Freitas, em Bauru.

O titular da conta, por sua vez, passa o dinheiro para um terceira pessoa e recebe, em troca, uma porcentagem de cerca de 10% do valor negociado. Cada peça da engrenagem, ou seja, cada um dos participantes, conhece apenas mais um ou dois envolvidos.

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